Pesquisa Amcham: Americanos querem investir no Brasil; burocracia e impostos são entraves

por simei_morais — publicado 14/06/2013 14h13, última modificação 14/06/2013 14h13
São Paulo – Participam 92 empresas dos EUA que têm ou pretendem fazer negócios com o país

Os empresários norte-americanos estão interessados em investir e logo, no Brasil, mostra uma pesquisa realizada pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) com executivos de 92 companhias dos Estados Unidos. Eles elegem a alta burocracia e as cargas de impostos como os principais entraves para os negócios.

Foram ouvidos gestores de organizações que já têm negócios com o país ou que pretendem iniciá-los. O questionário foi aplicado na última semana de maio e na primeira de junho, junto a empresas de setores e locais variados, nos Estados Unidos.

“O objetivo do levantamento era identificar as dificuldades e fornecer ao mercado norte-americano informações de uma forma mais prática e direta de como fazer negócios no Brasil”, afirma Camila Moura, gerente de Comércio Exterior da Amcham.

O resultado da pesquisa foi apresentado nos Estados Unidos, durante uma rodada de encontros de negócios entre empresários e autoridades brasileiros e norte-americanos do setor de logística, realizada pela Amcham, essa semana (de 11 a 14/06).

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A missão comercial percorreu cidades com pólos de negócios em logística, como Houston e Dallas, no Texas, e Atlanta e Savannah, na Geórgia. Executivos da Odebrecht, Cisa Trading e Santos Brasil, além de representantes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e da Secretaria Especial de Portos, do governo federal, integraram a comitiva.

Pesquisa

Dos entrevistados, 40% já têm alguma relação comercial com o Brasil. Dessas empresas, 89% querem expandir os negócios e, 47% delas, pretendem fazê-lo em seis meses. A maioria das companhias pretende usar recursos próprios para expandir os negócios.

Entre as que desejam iniciar operações com o Brasil (60%), 29% almejam importar, 30% pensam em exportar, e 37% planejam ter representante instalado país. O prazo pretendido para iniciar essas transações é de seis meses para 64,9% delas.

Negócios e setores

Os recursos próprios são o principal meio de financiar os investimentos para 58% das companhias participantes.

Os setores de interesse para expansão dos negócios e investimentos no Brasil são bens de consumo (10%), construção e imobiliário (10%), agronegócio (9%), TI e telecomunicações (8%), logística (8%), varejo (8%), petróleo e gás (7%), saúde, fármacos e biotecnologia (7%), indústria automotiva (7%), transporte e turismo (5%), recursos naturais e energia (5%), educação (3)%, entre outros não especificados (12%).

Quando os setores alvos não têm relação com seus negócios, o cenário tem ligeira alteração: agronegócio (10%), Logística (9%), TI e telecomunicações (9%), saúde, fármacos e biotecnologia (9%), recursos naturais e energia (9%), petróleo e gás (9%), transporte e turismo (8%), construção e imobiliário (8%), indústria automotiva (7%), varejo (6%), bens de consumo (6%) e educação (5%). Uma pequena parte (5%) ainda analisa quais são seus setores de interesse.

Obstáculos

Quando instados a citar os dois maiores obstáculos encontrados no Brasil para fazer negócios e investir no país, os custos burocráticos e com processos administrativos são os primeiros (33%), seguidos de altas cargas tributárias (21%) e falta de infraestrutura (11%).

Sobre as principais razões para fazer negócios com o Brasil, os empresários americanos destacam o mercado consumidor brasileiro em crescimento (37%), à frente da necessidade de diversificar mercados e depender do mercado interno (32%).

Em comparação a outros países, as principais vantagens oferecidas pelo Brasil são o mercado interno em crescimento (50%) e a porta de entrada para negócios com outros países da América Latina (22%).

Infraestrutura

Sobre o setor de infraestrutura, a pesquisa questiona quais as principais dificuldades de investimento. Dos respondentes, 64% afirmam que são a burocracia e a regulação do setor, e 22% apontam a falta de informação sobre projetos.

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