Portos da Bahia precisam quadruplicar estrutura existente em cinco anos, afirma diretor da Usuport

por giovanna publicado 24/08/2011 18h30, última modificação 24/08/2011 18h30
Anne Durey
Salvador – Investimentos são necessários em Aratu e Salvador, terminais que enfrentam saturação de suas capacidades instaladas.

Os portos de Aratu e Salvador necessitam quadruplicar suas estruturas nos próximos cinco anos para acompanhar o momento econômico vivido pela Bahia. É o que calcula Paulo Villa, diretor executivo da Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport).

“Os terminais do porto de Salvador estão saturados há sete anos, e os do porto de Aratu enfrentam a mesma dificuldade há 14 anos. A ampliação é urgente”, afirmou Villa, que esteve no “Encontro Temático: Comércio Exterior e Logística” realizado pela Amcham-Salvador, dia 19/08.

Ele explica que Aratu possui três terminais, para granéis líquidos, sólicos e produtos gasosos. “Os três estão saturados e isso se reflete na espera que os navios têm enfrentado atracar no porto. Nos últimos 14 anos, foi registrada uma média acumulada superior a mil dias de espera para atracar”, declarou.

De acordo com o executivo da Usuport, essa demora significa custos adicionais como maior número de diárias pagas pelos navios parados,com reflexos em termos de baixa produtividade do porto.

Salvador

No caso de Salvador, onde o foco das atividades é a movimentação de contêineres, há apenas um berço apropriado para receber navios com esse tipo de carga. “Este berço está em processo de ampliação; entretanto, a nova capacidade ainda não será suficiente para atender o mercado”, analisou Villa. Ele cita como impactos desse descompasso a falta de atratividade do porto para cargas internacionais e a perda de movimentações para outros terminais brasileiros.

Villa complementa que a situação do terminal de contêineres do porto da capital baiana é considerada emergencial desde 2006. “Consideramos que o porto de Salvador é um ativo de mais de US$ 2 bi que está sendo subutilizado. Temos área para expansão não apenas da movimentação de contêineres, mas também do turismo com cruzeiros marítimos”, declarou.

O diretor aponta que a principal saída para os problemas em ambas as localidades é a aceleração dos processos de licitação para os projetos de ampliação. “Não temos problemas econômicos ou técnicos. A iniciativa privada possui interesse em investir nos portos, mas precisamos de agilidade nas licitações para que isso aconteça”, analisou.

Competitividade

O diretor da Usuport considera que os anos sem investimento na estrutura dos portos têm impacto importante na competitividade da Bahia.

“Os portos de Pecém (CE) e Suape (PE) são mais novos e estão presentes em estados que têm buscado a expansão de suas estruturas. Vejo com bons olhos novos investimentos e capacitação na área porque isso já começa a chamar a atenção dos baianos para as oportunidades que estão perdendo”, comentou Villa.

Na análise dele, a comparação com outros portos do Brasil também é saudável, sendo o porto de Itajaí, em Santa Catarina, exemplo a ser seguido. Lá, segundo o especialista, o desenvolvimento de terminais de contêineres dá destaque para uma atividade na qual o Brasil ainda não deu grandes passos. “Eu diria que o País ainda não entrou na ‘era do contêiner’. Falta mais consciência do alto valor que esse tipo de carga pode ter no desenvolvimento brasileiro”, analisou.

Preços de transferência

Além do diretor da Usuport, o Encontro Temático: Comércio Exterior e Logística contou com palestra de Eliete Ribeiro, diretora de Transfer Pricing da KPMG. Ela abordou as principais características da tributação em preços de transferência no Brasil.

A especialista alertou que empresas brasileiras que atuam nos mercados estrangeiros devem estar atentas para o atendimento das regras internas de preços de transferência. “Considerando que o Brasil não possui mecanismos para evitar a bitributação no campo de preços de transferência, a ausência de planejamento pode levar à tributação excessiva”, analisou Eliete.

Neste contexto, a diretora da KPMG ressalta que as companhias têm de estar atentas às particularidades dos países, como a abordagem da fiscalização ou possibilidade prevista em lei de acordar antecipadamente com o fisco preços a serem praticados.

 

registrado em: