Primeira missão da Amcham à China tem saldo positivo

por giovanna publicado 05/11/2010 15h34, última modificação 05/11/2010 15h34
Daniela Rocha
São Paulo - Empresários conheceram o peculiar mercado chinês, fizeram contatos e estabeleceram parcerias.

A primeira missão comercial da Amcham à China, realizada de 11 a 19/10, teve resultado positivo. A demanda surgiu dos próprios associados devido ao crescente fluxo de negócios entre o Brasil e o gigante asiático.
 
A partir deste projeto inicial, a Amcham pretende organizar novas atividades envolvendo a China, visando principalmente atração de investimentos ao País e oportunidades para exportação de produtos brasileiros.
 
“As reuniões foram muito produtivas e informativas. Os participantes conseguiram fazer bons contatos e alguns deles estabeleceram parcerias. O grande diferencial da missão foi a capacitação prévia do grupo sobre aspectos culturais, impostos e logística. A delegação contou também com palestras, como a da consultoria KPMG, proporcionando um conhecimento mais aprofundado sobre aquele país. Outra vantagem foi a disponibilização de um intérprete para cada empresa, o que potencializou as negociações. A Amcham pretende realizar novas atividades voltadas à aproximação com a China nos proximos meses”, destacou Camila Moura, gerente de Comércio Exterior da Amcham.
 
O objetivo da viagem foi contribuir para que as companhias brasileiras dos setores de máquinas e equipamentos, autopeças, computadores e eletrônicos identificassem fornecedores e oportunidades de negócios com empresas chinesas.
 
Roteiro
 
A primeira etapa da programação ocorreu em Hong Kong, ex-colônia britânica que tem o inglês e o chinês como línguas oficiais e constitui uma das chamadas Regiões Administrativas Especiais da China. A delegação visitou duas feiras: a “Global Source Electronics and Components China Sourcing Fair”, que reúne fornecedores chineses de itens como periféricos e terminais de computadores, componentes eletroeletrônicos, led displays, GPS e produtos de Telecom e wireless; e a “Hong Kong Electronic Fair”, a maior feira de eletrônicos do mundo, conduzida pelo Hong Kong Trade Development Councill, reunindo 2.800 expositores de 25 países.
 
A segunda parte do roteiro se deu em Cantão, a terceira maior cidade da China e capital da província de Guangdong, região que hospeda grandes montadoras de automóveis, laboratórios de biotecnologia e indústria pesada, conta com uma zona de livre comércio e é uma das principais portas de entrada naquele país.
 
Os participantes da missão da Amcham visitaram a “108th Canton Fair”, tradicional feira organizada desde 1957 com foco em importação e exportação. A feira é multisetorial, mas a missão da Amcham se concentrou na parte do evento dedicada a eletrônicos, máquinas e equipamentos. “Mesmo com a logística complexa e os impostos, a vantagem competitiva é muito grande. A diferença impressiona, e não falo de produtos de baixa qualidade, mas de alta. Muitas empresas chinesas fabricam para grandes marcas mundiais. Conhecemos diversas marcas chinesas como a Huawei e a Gree, e avaliamos que até hoje o brand marketing não foi o negócio chinês”, comentou Camila.
 
Impressões

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A Engro, empresa especializada em instrumentação industrial e detentora

também da marca Kita, de carregadores de baterias para automóveis, foi uma das integrantes da missão à China. Como uma primeira experiência, a companhia fez uma compra de US$ 50 mil em componentes de um fabricante chinês e está nomeando um agente naquele país para vender seus produtos. “Fomos muito bem

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assessorados pela Amcham, abrimos um caminho e pretendemos agora dar continuidade a esse trabalho”, ressaltou Ilpo Davilan, diretor comercial.

“Ficamos surpresos com o poder de consumo chinês e pensamos como concorrer com os preços de lá uma vez que temos o Custo Brasil. Porém, constatamos que a classe média da China está disposta a pagar mais por produtos de qualidade e tem interesse em conhecer itens importados”, compartilhou Kurt Freudenthal, CEO da Engro.
 
Para Davilan, a barreira da língua é um problema, principalmente em se tratando das especificidades dos produtos, mas a presença dos tradutores inglês-mandarim facilitou a interação. A forma de negociar dos chineses chamou a atenção do executivo. “Eles têm um estilo diferente. Há uma tradição de quatro mil anos em negociação, ela é mais lenta, e isso exige uma paciência grande dos ocidentais.”
 
A GTT, desenvolvedora de soluções para identificação de objetos por rádio frequência em logística (caminhões, contêineres e caixas) e health care (controle de equipamentos médico-hospitalares na cadeia distribuidora), parcicipou da viagem à China para prospectar fornecedores de equipamentos e iniciar o processo de inserção da marca naquele mercado. “Ainda não fechamos negócio, trouxemos alguns equipamentos para avaliação e levantamos um potencial parceiro para um projeto no Brasil. Aproveitamos principalmente a feira de Hong Kong, que continha mais itens de nossa área de atuação”, disse coordenador de Operações de TI da empresa, Rafael Leite.
 
“Fizemos contatos com fornecedores de insumos e de volta ao Brasil, já estamos trocando e-mails. É um bom começo. Para o Brasil, a aproximação com a China é um caminho sem volta. Há muitas possibilidades”, enfatizou, por sua vez, Deives Antonio Furlan, gerente de Comércio exterior da Quimatec, de produtos químicos destinados ao setor sucroalcooleiro e ao tratamento de efluentes, que também participou da missão.

O gerente de Produtos da Protintas Suvinil, Max Borges, informou que a companhia busca parcerias com empresas chinesas para entrar naquele mercado. “Temos interesse porque a construção civil na China está em ritmo acelerado.”


Borges comentou também que encontrou lá potenciais fornecedores de qualidade, que operam em total legalidade. “Antes tínhamos aquela visão do trabalho escravo somada à vantagem do câmbio no país, que geravam preços baixos, mas vimos de perto que existem muitos fornecedores bastante estruturados.”

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