Produtividade é chave para inserir o Brasil nas cadeias globais de valor, diz secretária da CAMEX

publicado 26/07/2018 14h08, última modificação 26/07/2018 15h47
São Paulo – Para Marcela Carvalho, acordos globais são necessários, mas desburocratização é mais eficaz

Para o Brasil participar mais das cadeias internacionais de valor, precisa ganhar produtividade. Nesse contexto, simplificar o pagamento de impostos traria mais resultados para a economia do que novos acordos comerciais, defende Marcela Carvalho, secretária executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do MDIC.

“O ganho de produtividade da nossa economia é a consequente inserção nas cadeias de valor globais. Se reduzíssemos nossa complexidade tributária aos níveis da OCDE ou América Latina, teríamos um ganho de produtividade de 18%, no caso da OCDE, e 16% no caso da América Latina”, argumenta Carvalho, no fórum ‘As Novas dimensões do Comércio Global: Fim do sistema multilateral?’ da Amcham-São Paulo, na quarta-feira (25/7).

“Não tem acordo comercial algum que nos dê esse ganho percentual de produtividade. E não estou dizendo que a gente não tenha que fazer acordos”, acrescenta.

De acordo com dados do relatório Doing Business, do Banco Mundial, o Brasil lidera com folga o ranking de complexidade na hora de pagar impostos. As empresas brasileiras gastam 1.958 horas/ano para cumprir obrigações tributárias.

É pouco menos que o dobro do segundo colocado, a Bolívia, com 1.025 horas/ano. “Isso é demais. Para se ter ideia, o nível da OCDE é de 160 horas/ano e a da América Latina, 332 horas/ano. Ou seja, estamos muito acima da média até da América Latina”, compara.

Ações coordenadas

Carvalho cita algumas iniciativas da Camex para desburocratizar o comércio exterior. Entre elas, a reunião dos diversos órgãos brasileiros responsáveis pela regulação e fiscalização de investimentos. “Criamos um comitê nacional para debater um caminho único de políticas de financiamento no exterior”, detalha.

A desburocratização é parte das propostas essenciais para melhorar o comércio exterior, afirma a secretária. “O que mostro aqui é que todas essas políticas têm que ser absolutamente casadas e direcionadas para o mesmo fim. Temos que ter uma cesta de medidas que olhe para o mesmo objetivo.”

Quase último do ranking

O Brasil é um dos países menos integrados do mundo. De acordo com estatísticas da OCDE sobre cadeia global de valor (CGV), o Brasil ocupa a 60ª posição entre 63 países. O ranking mede a inserção dos países nas cadeias globais, com base no conteúdo estrangeiro das exportações.

Em 2011, o Brasil tinha 10,7% de componentes importados, média bem abaixo dos países ricos. Para comparar, a Coreia do Sul tem 22% de conteúdo estrangeiro nas exportações. “A média brasileira está próxima da América do Sul. Mas Peru e Colômbia hoje devem estar mais bem posicionados, em função de os dados mais recentes serem de 2011 e terem entrado na Aliança do Pacífico”, conta.