Santos Brasil: País precisa reduzir tempo das cargas importadas nos terminais portuários

por daniela publicado 15/06/2011 16h28, última modificação 15/06/2011 16h28
Daniela Rocha
São Paulo - No caminho de maior competitividade, as soluções passam pela adoção do Porto sem Papel e pela construção de centros retroportuários, avalia diretor de Operações da companhia.
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No caminho de maior competitividade, o Brasil precisa reduzir o tempo de permanência das cargas importadas nos terminais portuários, atualmente de 16 dias em média. É o que defende Caio Morel, diretor de Operações da Santos Brasil, maior operadora de contêineres do Pais, responsável pelos terminais de Santos (SP), Imbituba (SC) e Vila Conde (PR) e por centros logísticos. 

“Se conseguíssemos reduzir o tempo das importações nos portos para um patamar igual ao das exportações, de apenas cinco dias em média, teríamos um aumento da capacidade, no terminal de Santos, por exemplo, de 30%, o que é muito significativo”, ilustrou Morel, que participou nesta quarta-feira (15/06) do comitê de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo.

Além do fato de as cargas que vêm de fora do País demorarem mais para serem desamarradas pelas autoridades aduaneiras, há um problema de déficit de estruturas para abrigar contêineres em áreas retroportuárias, isto é, bases operacionais fora dos portos. Dessa forma, as empresas importadoras acabam utilizando espaços nobres dos portos, que deveriam ser somente de passagem, para armazenagem, desencadeando filas de navios, explicou o executivo.

Nos países desenvolvidos e em muitos dos competidores do Brasil no mercado internacional, a liberação e a movimentação de cargas importadas é mais ágil.  “Aqui o produto importado acaba saindo mais caro do que seria se tivéssemos uma infraestrutura mais adequada”, comentou.

Soluções

Como uma das soluções, ele indicou a adoção total do Porto sem Papel - portal único eletrônico acessado pelos seis órgãos envolvidos - Receita Federal, Polícia Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério de Agricultura e Abastecimento, Marinha e Autoridade Portuária -, ainda em fase piloto em alguns portos. Segundo Morel, os scanners, aparelhos de leitura ótica que permitem a inspeção não invasiva dos contêineres, serão fundamentais nesse processo.

Na avaliação de Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e atualmente presidente do comitê de Comércio Exterior da Amcham, o Porto sem Papel já deveria estar em funcionamento. “Era para ser implementado no governo passado. Neste ano, com as mudanças de ministros e funcionários do segundo escalão, há atraso para tratar dessa questão.”

Outro avanço necessário, segundo o diretor da Santos Brasil, é a criação de centros logísticos de suporte fora dos portos (retroportuárias). Ele reconhece que existem algumas dificuldades para essas construções ganharem corpo como desapropriações de moradias e pouco terrenos aptos em termos ambientais porque normalmente os portos ficam em áreas de Mata Atlântica. Segundo o executivo, o governo deveria dar mais ênfase ao endereçamento desta questão. A Santos Brasil tem um projeto de retroporto no Guarujá.

Investimentos

A Santos Brasil, desde 1998 quando houve a privatização no setor, investiu R$ 2,8 bilhões, sendo R$ 1,8 bilhões no terminal de contêineres de Santos.

Logo no início, a empresa movimentava 11 contêineres por hora; em 2005, passou a movimentar 43 por hora; e, atualmente, são 70. “Nossa meta é movimentar 105 contêineres por hora em 2015”, disse Caio Morel.

De acordo com ele, os 13 terminais afiliados à Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec) já investiram US$ 2,5 bilhões e têm planos de aplicar mais US$ 4 bilhões até 2015.

 

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