“Aquele que sabe o que vai acontecer [em 2018] está muito mal informado”, comenta presidente do BNDES

publicado 04/12/2017 16h02, última modificação 04/12/2017 16h20
São Paulo - Paulo Rabello participou do seminário “Brasil 2018”, promovido pela Amcham

Devido às incertezas políticas e econômicas, o cenário de 2018 ainda é muito indefinido. Essa é a avaliação do presidente do BNDES, Paulo Rabello. Durante o seminário “Brasil 2018 promovido pela Amcham - São Paulo, Rabello comentou que “aquele que sabe o que vai acontecer está muito mal informado”.

A avaliação do presidente da instituição é que o BNDES deverá participar do sistema de fomento à economia nacional e pediu aos candidatos à presidência de 2018 que incluam esse ponto em suas agendas. Rabello ressaltou a importância das reformas econômicas e chamou atenção para a reforma tributária, que considera inadiável. Em sua concepção, apesar da importância dessas mudanças, elas ainda não são suficientes para recuperar a economia como um todo, visto que a taxa de investimento caiu 30% nos últimos trimestres.

Rebatendo as críticas de que a instituição daria prejuízo ao Tesouro Nacional, Rabello ressaltou que boa parte dos superávits acumulados até 2014 eram pagos pelo BNDES. “Quando tínhamos superávit primário, quase 40% do total acumulado desde 2007 é contribuição do BNDES, porque ele, ao longo dos anos, veio acumulando dividendos”, alerta.

BNDES: desafios e missões

Por conta da escassez de demanda, o presidente adianta que os desembolsos do BNDES ainda estarão abaixo do programado. Ainda assim, a entidade está em situação financeira confortável: ele afirma que há mais de R$ 800 bilhões no caixa do banco e que a taxa de inadimplência fica abaixo de 2%, o que demonstraria o “respeito ao dinheiro do contribuinte”.

Um dos principais desafios do banco nos próximos anos são mais estímulos às micro, pequenas e médias empresas, segundo Rabello. Ele ressaltou ainda que essa foi a única orientação passada pelo presidente Michel Temer. “Foi a única orientação direta que dele recebi, dar absoluta prioridade para esse grande empresariado anônimo que continua seco em matéria de crédito, enfrentando custos muito elevados contra uma inflação projetada de 3% a 4%. Isso não tem cabimento e precisa ser enfrentado”, salienta.

Como ressalvas negativas a recente atuação do banco, o presidente ressaltou a queda no investimento para a indústria manufatureira e a queda também do ciclo de financiamento às exportações. O último índice caiu porque parte das empresas que recebiam esses aportes, como JBS e Odebrecht, não recebem mais crédito com o banco após as denúncias de corrupção levantadas pela Operação Lava Jato.

Sobre a queda de investimento nas indústrias, Rabello classificou como “algo dramático” e que precisaria “mudar radicalmente”. Ele acredita que, com o crescimento do setor a médio prazo, a economia do país também poderia se recuperar. A previsão de Rabello é que seria possível crescer de 5% a 6%, caso o investimento nessa área aumentasse.

Para o presidente do banco, o BNDES deve se preparar para viabilizar soluções financeiras criativas a longo prazo para desenvolver a economia do país. Neste caso, Rabello acredita que a intervenção econômica é necessária no país. “O Brasil é exatamente uma situação dessas em que é preciso que haja intervenções de pensamento de um governo para que o país avance na liberalização de sua economia e na prosperidade de sua sociedade”, afirmou.