“Lula e Bolsonaro são nostalgias do passado”, afirma Fernando Gabeira

publicado 05/12/2017 12h24, última modificação 05/12/2017 14h55
São Paulo - Jornalista avalia que não há candidatos que ‘olhem para o futuro’ durante debate no seminário Brasil 2018

Para Fernando Gabeira, há uma forte polarização ideológica no Brasil centrada em dois pré-candidatos à presidência: Jair Bolsonaro (PSC) e Lula (PT). O escritor avalia que essas duas figuras representam nostalgias diferentes. Durante o Seminário Brasil 2018, promovido pela Amcham - São Paulo no dia 04/12, Gabeira explicou que o PT lembra o período de crescimento da economia e do consumo dos mandatos do ex-presidente do partido, algo que coloca como “irreproduzível”. Bolsonaro representaria a nostalgia do regime militar, em que se dava a sensação de que o país era mais seguro e que não havia corrupção. “Essas imagens ocupam o imaginário popular porque ainda não existe uma posição nova que olhe para o futuro e se distancie disso”, avaliou.

O cientista político Bolívar Lamounier salientou que os dois candidatos têm altos índices de rejeição e dificilmente melhorariam a administração para uma agenda positiva. “Não é direita contra a esquerda. São duas pessoas com uma grande gana de poder, capazes de dizer agora o que vão desdizer daqui cinco minutos. Nenhum deles personifica uma agenda, uma visão de país. Não temos no Brasil uma polarização de conteúdo”, apontou. Ele ressaltou ainda a falta de um candidato que represente uma posição mais de centro.

PT x PSDB

O diretor executivo da Pulso Público, Marcelo Issa, acredita que as eleições de 2018 serão polarizadas novamente entre o PT e PSDB, que concentraram mais de 75% do total de votos nas últimas eleições. “Partindo do cenário de Lula candidato e no segundo turno, o comportamento estratégico do eleitorado afastará o Bolsonaro do segundo turno, as pessoas colocariam um candidato menos extremado”, avalia.

Gabeira ainda ressaltou que se a polarização clássica entre PT e PSDB acontecer no segundo turno, os eleitores vão sentir que nada mudou na política. “Nenhum deles tem condição de apresentar claramente uma visão de controle da corrupção porque teriam também que examinar seu comportamento, fazer uma autocrítica. isso abre cada vez mais a possibilidade para um outsider”, comenta.

Issa, no entanto, não acredita na vitória de um outsider nesse momento por uma questão de tempo.Teria que ser pessoa conhecida, popular, bem vista. Não há tempo de alguém se projetar nacionalmente para ser competitivo. Também seria necessário que essa pessoa fosse adotada por uma estrutura partidária já consolidada”, opina. Ele ressalta ainda que esse é um momento de fim de ciclo no Brasil, com mais chances de um candidato mais liberal vencer.

Sobre uma candidatura do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Bolívar comenta que dois fatores podem atrapalhar: a pouca penetração de Alckmin fora de São Paulo e a presidência do partido, que assumirá no próximo dia 09. Caso o governador escolha não tomar nenhuma atitude contra o senador Aécio Neves (PSDB), isso pode pesar contra sua candidatura.

Cenário sem Lula

Caso o pré-candidato seja preso ou impedido de participar das eleições por conta das condenações que sofreu pelo juiz Sergio Moro, o cenário pode mudar bastante. Nesse caso, Bolívar acredita que os eleitores do PT votariam em qualquer candidato para fazer contraponto a Bolsonaro, mesmo que a contragosto.  

Combate à corrupção e economia: temas centrais

Gabeira enxerga que, em 2018, dois temas terão mais destaque durante o período de campanhas: o combate à corrupção e desenvolvimento econômico. Um dos desafios na economia, pontuou, é fazer com que a máquina pública se volte mais para infraestrutura e menos para o consumo. O escritor lamenta, pois ainda não enxerga algum candidato que desenvolva propostas de crescimento econômico sustentável.

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