“Não há nenhuma inteligência nos processos tratados em portos e aeroportos”, afirma presidente da Anvisa

publicado 01/12/2016 14h48, última modificação 01/12/2016 14h48
São Paulo - Jarbas Barbosa, em encontro com empresários, discutiu os desafios na atuação da agência reguladora
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Jarbas Barbosa, presidente da Anvisa, participou de encontro com representantes da iniciativa privada para debater os desafios no diálogo entre a agência e setores regulados na quinta-feira (01/12) na Amcham – São Paulo. Participaram como expositores Antônio Brito, presidente da Interfarma; Carlos Eduardo Paula Leite de Gouvêa, presidente da ABIIS (Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde); João Carlos Basílio da Silva, presidente da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos); Daniella Cunha, diretora de Relações Governamentais da ABIA (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação) e Daniela Rios, presidente do Conselho SIPLA (Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos de Limpeza). O moderador foi Rodrigo Correia da Silva, Coordenador da Força Tarefa Anvisa da Amcham. Confira os destaques do evento:

Jarbas Barbosa, Presidente da Anvisa
“Muitas vezes importadores que se relacionam com o Brasil rotineiramente há anos, com produtos sem nenhum tipo de risco, são tratados como se fosse [a importação de] uma carga que chega pela primeira vez e de um produto desconhecido. Não há nenhuma inteligência nos processos tratados em portos e aeroportos.”
“Na lei atual, os produtos não podem ter nomes, designações ou embalagens nos rótulos que induzem ao erro. Isso, na prática, significa que na Anvisa temos mais pessoas analisando nome de produtos do que analisando a fila de registro.”

Rodrigo Correia da Silva, Coordenador da Força Tarefa Anvisa da Amcham
“Precisamos pensar que a burocracia se reflete no fator tempo. Quanto tempo a agência leva para dar uma resposta positiva ou negativa? Isso tem impacto direto na disponibilização do produto e também no retorno do investimento.”
“Na nossa visão, a Anvisa também tem outros objetivos que passam pelo acesso e pela competitividade da indústria. Às vezes parece um dilema entre segurança e eficácia ou acesso e competitividade, mas o que a gente propõe é buscar esses quatro objetivos concomitantemente.”

Antônio Britto, Presidente Executivo da Interfarma
“O país não tem foco ou capacidade cultural de dizer exatamente qual o problema, para que a gente possa responder exatamente qual a solução. Se o Brasil fosse médico, o paciente estaria esperando o diagnóstico até agora ou receberia 38 hipóteses de diagnóstico com 66 tratamentos.”
“Se não começarmos discutindo o papel das agências reguladoras e a relação entre elas e o poder Executivo, os avanços que estão acontecendo tendem a se tornar cada vez mais difíceis.”

Daniella Cunha, diretora de Relações Governamentais da ABIA
“A alimentação é hoje a segunda maior pauta da Anvisa, não só em quantidade, mas também na complexidade desse tema.”
“Temos que assegurar uma estrutura física, processual e humana que esteja pronta para poder agir e evoluir com a mesma velocidade que a evolução tecnológica e a inovação.”

Daniela Rios, presidente do Conselho SIPLA
“Na América Latina, temos três definições distintas do que são saneantes, ou seja, os acordos internacionais estão menos focados em barreiras tarifárias e mais nas barreiras regulatórias.”
“Eventualmente uma rotulagem pode definir se uma empresa vai fabricar um produto no Brasil ou na Argentina. Nisso, perdemos competitividade.”

Carlos Eduardo Paula Leite Gouvêa, Presidente da ABIIS
“O ciclo de vida dos nossos produtos é muito curto, já que eles são constantemente renovados e modificados. Nesse contexto, é muito importante termos uma agência reguladora forte. E a Anvisa tem feito grandes avanços.”
“A revisão de processos dentro de portos e aeroportos é fundamental e urgente.”

João Carlos Basílio da Silva, Presidente executivo da ABIHPEC
“Sessenta por cento de nosso faturamento de 100 bilhões de dólares vem de produtos de cuidados pessoais, mas continuam nos considerando cosméticos.”
“Para lançar um sabonete simples infantil, preciso mandar para a Anvisa para uma análise prévia que hoje demora cerca de 180 dias para ser aprovada.”