“Nascemos dentro da Universidade de Berkeley (EUA). No Brasil, isso é impensável”, diz executivo da Amyris

publicado 19/09/2017 17h16, última modificação 21/09/2017 18h12
São Paulo – Eduardo Loosli compara o ambiente de investimentos nos dois países

Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, a falta de cooperação entre empresas e universidades no Brasil restringe o surgimento de negócios baseados em pesquisas científicas, afirma Eduardo Loosli, vice-presidente da Amyris Biotechnologies.

“A Amyris nasceu dentro da Universidade de Berkeley (EUA). Isso, no Brasil, é impensável. No geral, aqui não existe elaboração e execução de um projeto de desenvolvimento tecnológico usando alunos de pós-graduação. Temos instituições privadas que financiam pesquisas, mas elas não conseguem registrar a patente. Ela é da universidade, que prefere tornar a patente pública”, disse, no ‘Seminário Relação Bilateral Brasil – EUA’ da Amcham – São Paulo, na sexta-feira (15/9).

Loosli comparou a diferença do ambiente de negócios no Brasil e Estados Unidos, junto com João Parolin, CEO da Oxiteno, e Ricardo Lima, CEO da CCR Aeroportos. O painel de debates foi moderado por Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Columbia University (EUA).

A Amyris Biotechnologies surgiu nos Estados Unidos em 2003, de um projeto científico financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. O foco da companhia é fabricar produtos químicos renováveis utilizados em cosméticos, fragrâncias, combustíveis e medicamentos.

“Em nosso caso, houve esse financiamento. A Fundação Bill e Melinda Gates, muito elegantemente, patenteou só uma pequena parte da rota metabólica, que era o objetivo exclusivo dela, para a produção de um ácido. E disse aos estudantes que a tecnologia desenvolvida era deles e que montassem um negócio. E aqui estamos hoje”, conta Loosli.

Para a americana Amyris Biotechnologies, a vinda ao Brasil era um passo natural. A empresa escolheu a região de Campinas em função da proximidade com universidades e plantações de cana. O desafio da empresa é aumentar sua participação no mercado brasileiro e intensificar o desenvolvimento tecnológico, segundo Loosli.

“A falta de colaboração científica entre academia e empresa dificulta um pouco nosso trabalho. Por outro lado, estar próximo a universidades nos permite ter acesso a recursos humanos qualificados para operar tecnologia de ponta”, afirma.

Oxiteno e CCR Aeroportos

Nos Estados Unidos, investir é menos complicado que no Brasil. A Oxiteno começou a operar nos EUA há dez anos para aproveitar o início da exploração de gás de xisto no país e o potencial do mercado petroquímico local. Segundo Parolin, o total de investimentos chega a 113 milhões de dólares.

A CCR Aeroportos, do Grupo CCR, decidiu investir nos Estados Unidos de olho na perspectiva de modernização dos aeroportos americanos, segundo Lima. “A infraestrutura aeroportuária de lá é boa, mas fica a desejar, se comparada à Europa e Ásia”, destaca o executivo. Para oferecer o mesmo nível de serviços dos similares continentais, Lima disse que os americanos teriam que investir cem bilhões de dólares nos próximos cinco anos.

Para atuar no mercado americano, a CCR comprou uma empresa de prestação de serviços, a Total Airport Services (TAS). O objetivo é atuar como empresa local em projetos aeroportuários. “Queremos operar terminais nos grandes aeroportos e temos conversado com as autoridades regionais para desenvolver parcerias”, conta Lima.

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