“O Brasil é o país do futuro que nunca acontece”, afirma economista Samy Dana

publicado 28/07/2014 14h37, última modificação 28/07/2014 14h37
Campinas - Fórum de Finanças do dia 23/07 abordou as expectativas e incertezas econômicas no ano eleitoral
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“O Brasil é o país do futuro que nunca acontece”.  Foi com essa frase impactante o economista Samy Dana abriu o Fórum de Finanças realizado na última quarta-feira (23/07).

Samy Dana afirma que não há apenas um culpado para o crescimento estagnado do país, as burocracias exageradas, a falta de clareza na regulamentação fiscal e gargalos de infraestrutura são apenas alguns dos aspectos que impactam negativamente a competitividade da economia brasileira. 

“No Brasil, temos diversas leis de regulamentação, impostos e declarações, mas a fiscalização para todas essas normas é fraca e concorre-se com pessoas que acabam por não pagar todos os impostos e que não cumprem todas as normas.”

De acordo com ele, a previsão de crescimento da economia brasileira para este ano é baixa. “O ano de 2014 começou com uma previsão de crescimento de 3,5 à 4%. Hoje, a previsão mais otimista é de fecharmos 2014 com um crescimento de 1,8%”, disse ele, diante plateia de 200 empresários e executivos.


Competitividade

Segundo o World Economic Forum, o Brasil se encontra na 56º posição do ranking de competitividade mundial, perdendo para quase todos os países emergentes.

O economista Samy Dana indica que a alta carga tributária é um dos principais fatores que comprometem a competitividade. “Nossa carga tributária em relação ao PIB é de 36%, segundo dados da receita federal. Portanto, o Brasil tem uma das maiores taxas tributárias do mundo, e quem é penalizado por isso é o consumidor.”

Além de termos uma carga tributária elevada, a tributação no Brasil acontece de forma errada. “No Brasil, a maioria dos impostos é colocado no produto final. Ou seja, não importa se você ganha dois salários mínimos ou vinte, a tributação será a mesma para os dois, o que não é justo”, critica ele.

Existem outros fatores que enfraquecem a competitividade do país, a falta de infraestrutura, educação e saúde são exemplos, mas para Dana outro ponto-chave é a produtividade baixa.

Segundo dados da Coference Board  a produtividade do Brasil por trabalhador é de 19.833 dólares por ano contra 111.000 dólares por ano dos EUA.

“Os salários tem aumentado no Brasil cerca de 40% desde 2008, e a produtividade não segue no mesmo ritmo, essa situação é insustentável e gera inflação”.

 

Visão 2015

Para o ano de 2015, as previsões de Samy Dana não são otimistas. “Independente do governo, a inflação irá crescer, o dólar irá valorizar em relação ao real e a taxa selic aumentará. São acontecimentos inevitáveis, pois as medidas que o governo está tomando para equilibrar esses fatores são insustentáveis”, conclui.