A partir de pensamento analítico e intuitivo, Design Thinking ajuda empresas a inovar aproveitando talentos internos

por andre_inohara — publicado 28/09/2012 16h37, última modificação 28/09/2012 16h37
São Paulo – Mérito da metodologia é estimular o pensamento crítico e voltado a soluções para o cliente.
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Usando técnicas de Design Thinking e dando liberdade de atuação às equipes de inovação, as organizações podem desenvolver internamente muitos produtos e processos capazes de aumentar o retorno financeiro e a competitividade empresarial.

Possuir recursos e metas claras é importante para as equipes em seu trabalho de criação, mas o fundamental é a confiança depositada pela alta gestão, disse o consultor de inovação Charles Bezerra, diretor executivo da Gad’Innovation.

“Dá para fazer mais barato, usando menos recursos e sendo mais rápido, se a raiz do problema for atacada. Falo da maneira de pensar e da confiança depositada no time”, comentou Bezerra, durante o comitê de Inovação da Amcham-São Paulo nesta sexta-feira (28/09).

Veja aqui: Design Thinking nas empresas estimula inovação, espírito de equipe e motivação

Para ele, a forma como muitas empresas pensam a inovação não é produtiva. “É preciso parar de pensar nos sintomas e partir para as causas. Usar mais o tempo procurando as perguntas certas e partir para o foco estratégico”, defende.

Encontrar a forma correta de pensar passa por recuperar a ingenuidade e curiosidade infantil, segundo o consultor. “Temos que estimular e valorizar as perguntas, e incentivar o potencial criativo das pessoas”, observa.

A busca por novas tecnologias pelas empresas está sendo feita de forma desorganizada e perdulária, na avaliação de Bezerra. “Uso a metáfora de que as empresas estão atirando para todos os lados com uma metralhadora, quando elas têm que ser como os atiradores de elite”, compara.

O Design Thinking

O Design Thinking é uma metodologia de trabalho que busca soluções funcionais e estéticas para o consumidor final por meio do pensamento intuitivo e analítico.

A diferença em relação a outras técnicas é que o Design Thinking propõe a criação de ideias de maneira livre e intuitiva, e busca a construção de produtos seguros e eficientes com base em conceitos analíticos.

Bezerra define que o Design Thinking é formado por planejamento estratégico, etnografia (método antropológico de coleta de dados) e design, pois “é preciso visualizar antes a solução”.

Trata-se de uma forma de pensar focada em pessoas e não processos. “As empresas sempre pensam em tecnologia, processo e máquinas, mas querem uma inovação e criatividade que só é produzida por meio do ser humano”, pondera.

Incentivo ao olhar clínico dos colaboradores

No Itaú Unibanco, Patrícia Salviato Simpioni é gerente de Inovação, Melhoria Contínua e Comunicação, e, entre suas atribuições, está promover e dar suporte à criação de processos inovadores. “Na parte de inovação, nossa preocupação é saber fazer as perguntas corretas, provocar e desafiar os colaboradores a entender o que o cliente sente”, descreve.

Em melhoria contínua, o trabalho de Patrícia é garantir que os colaboradores produzam ideias que deem resultado de curtíssimo prazo. “Costumo dizer que, entre a lei e o código de ética do Itaú, tudo é possível. Isso porque, se não criarmos artifícios para motivar as equipes a pensarem diferente, não sairemos do lugar nem produziremos inovação”, comenta.

Patrícia se refere ao questionamento de paradigmas – as regras não escritas. Esse olhar clínico, somado à técnica e dedicação, é que produzirá ideias inovadoras, argumenta a executiva.

Rodízio de horário nas agências

Muitas vezes, inovar não significar criar um produto revolucionário, mas encontrar formas flexíveis de atendimento sem grandes despesas. Patrícia conta que, em uma das reuniões de inovação, surgiu um questionamento sobre a utilidade de se pagar por estruturas que não dão retorno.

O banco paga aluguéis caros de agências dentro de shopping, que ficam abertos em um horário que o cliente não frequenta esses espaços – no caso, das 10h às 12h. Existe uma lei que determina a obrigatoriedade de funcionamento de uma agência por um período mínimo de horas, justifica Patrícia.

“Fomos olhar a lei. Ela determina que a agência tem que estar aberta no horário do almoço (12h), mas não a impede de funcionar à noite. Assim, desde o dia 17, temos uma agência no Shopping Villa Lobos que abre às 12h e vai até a noite”, descreve a executiva.

“No corredor de agências da Avenida Paulista, temos um rodízio de horários de funcionamento das agências, que ficarão abertas por pelo menos 10 horas para atendimento ao publico”, acrescenta.

Muitas vezes, inovação não se trata de produtos novos, mas um jeito diferente de pensar. “É um tipo de inovação que não aparece na mídia, mas para nós dá um reconhecimento importante”, destaca Patrícia.