A visão de quatro CEOs para os negócios no Brasil em 2019

publicado 11/02/2019 17h46, última modificação 14/02/2019 10h30
São Paulo – Executivos debateram desafios e estratégias para o futuro no Plano de Voo
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Como quatro CEOs de grandes empresas de diferentes setores estão enxergando o Brasil em 2019? Quais são os principais desafios que enfrentarão no país a partir de agora? Como estão planejando suas estratégias de negócio? Durante o Plano de Voo, realizado em São Paulo (07/02), presidentes da GetNet, Cummins, American Airlines e UnitedHealth Group trouxeram suas perspectivas para o futuro e compartilharam algumas estratégias de sucesso que estão em seus radares.

 

Digital, é claro

Pedro Coutinho, CEO da GetNet, apresentou as quatro principais tendências de mercado para potencializar os negócios. Ele citou eficiência operacional, pessoas, experiência do cliente e multicanalidade como os grandes pontos de atenção que qualquer empresa deve ter em mente em 2019. 

Além desses tópicos, Coutinho trouxe a digitalização como um dos grandes temas dos próximos anos. Segundo um estudo da Accenture, apenas a digitalização do mercado de finanças poderia acrescentar 3,7 trilhões de dólares nas economias emergentes até 2025. Quando pensamos em mais setores, a potência de crescimento é ainda maior. “Precisamos de tecnologia para o país crescer. Não existe mais online e offline, isso vai andar junto. Se não botarmos tecnologia, empresas não serão eficientes”. A dica do CEO é aproveitar a baixa da taxa básica de juros – e a tendência dela se manter em um patamar de 6% - para investir e ocupar espaço no mercado.

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Mais interações: setor privado e público

Uma das grandes preocupações do setor de saúde, segundo Lottenberg, CEO da UnitedHealth Group, é justamente integrar mais tecnologia e trazer novos modelos mais efetivos de cuidado. Um dos problemas da área é justamente uma remuneração de “consumo”, em que os profissionais são remunerados por procedimentos, o que acaba encarecendo tratamentos.

 “É um modelo abusadamente hospitalocêntrico, a mecânica de remuneração é de consumo, e não de efetividade, é uma área carente de processos integrados em linguagem digital. Temos uma lição de casa enorme para que possamos levar a saúde para um grau de efetividade”, compartilha.

O debate da saúde envolve também o Estado. Para o executivo, a saúde é um direito social, mas que não necessariamente precisa ser operado pelo Estado. Ele deu exemplos de países como Portugal e Holanda, em que há uma sinergia entre setor público e privado.Trazendo as virtudes dos dois setores, podemos somar esforços e melhorar o que queremos trazer pras pessoas. Tem que trabalhar isso de maneira conjunta. Existe vontade do setor privado de investir no público. Saúde é um direito social, a questão é como executar e financiar da melhor forma”, pontua.

 

Pouso forçado, manutenção necessária

Os últimos anos foram particularmente difíceis para quase todos os setores da economia brasileira. Para a Cummins, com uma queda de mais de um terço da produção de veículos, o momento foi extremamente desafiador. Em uma analogia com uma viagem de avião, Luis Pasquotto, CEO da organização, explicou como se recuperaram: “A principio, imaginamos que era só abaixar a altitude do voo em 2015. Acho que todos nós erramos e acabou sendo um pouso forçado por três anos, onde nós, felizmente, fizemos a lição de casa. Investimos em uma estratégia de três pilares: recuperar lucratividade, manter o market share e manter também o alto nível e excelência da organização, preservando a mão de obra essencial para a companhia”, relatou.

Esse momento de reflexão dentro da organização, revisando processos, diminuindo custos e consolidando ativos fez com que a organização se fortalecesse. O apoio da matriz foi essencial para que a empresa conseguisse. “Sempre fizemos isso para, quando a economia começasse a se recuperar, estivéssemos fortes. Estamos agora na decolagem, em um voo que estamos moderadamente otimistas, e sinto que é hora de recolher os frutos”, contou.

 

Mais otimistas, sim

O otimismo com o país, que apareceu na pesquisa realizada com mais de 550 executivos durante o Plano de Voo, também está no setor de aviação, segundo Dilson Verçosa Jr. A prova foi a construção de um hangar da empresa no aeroporto Internacional de Guarulhos – investimento de 100 milhões de dólares. “Esses últimos três anos foram complicados e tivemos que reduzir nossa operação no Brasil. Apesar das notícias ruins, algumas coisas positivas vieram na nossa área e vão repercutir em médio prazo. Uma delas é a aprovação dos céus abertos entre Brasil e Estados Unidos, e veremos resultados a partir disso. Em todos os lugares que firmaram esse tipo de acordo, houve crescimento médio de 18% no tráfego aéreo”, relata.

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Para ele, o governo deve continuar a investir nas agendas de privatização de aeroportos e na desburocratização de processos para uma decolagem mais suave. Ele lembrou que a Reforma da Previdência é importante para o setor privado, mas que não pode ser a única medida. “Ela sinaliza uma mudança e, a partir da hora que for aprovada, vai trazer uma série de outras discussões que são tão importantes quanto essa”.

Conteúdo exclusivo: para assistir à íntegra do debate com os CEOs, acesse aqui.

 

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