"Acordo gradual" de livre comércio é desejo realista dos empresários brasileiros, afirma presidente do Conselho da Amcham Brasil

publicado 02/08/2019 14h35, última modificação 09/08/2019 17h52
Brasil – Documento "Brasil-EUA: 10 Propostas para uma Parceria Mais Ambiciosa" foi entregue ao secretário pautando encontro oficial com o presidente Jair Bolsonaro
Secretário de Comércio Americano, Wilbur Ross, recebe o documento “10 propostas para uma parceria mais ambiciosa” do Presidente do nosso Conselho, Luiz Pretti.jpg

Secretário de Comércio Americano, Wilbur Ross, recebe o documento “10 propostas para uma parceria mais ambiciosa” do Presidente do nosso Conselho, Luiz Pretti

“A Amcham Brasil acredita no livre comércio e em um ambiente de negócios próspero e dinâmico. Portanto, nossa prioridade número 1 é um Acordo de Livre Comércio abrangente com os Estados Unidos a partir de um roteiro de gradual ”, defendeu o presidente do Conselho da Amcham Brasil, Luiz Pretti, ao abrir o evento 'Diálogo Empresarial com o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross', na última terça-feira (30/7), em comemoração ao centenário da nossa fundação. 

O acordo é listado em primeiro lugar entre as propostas que a Amcham entregou ao secretário Ross, em São Paulo, reunidas no documento "Brasil-EUA: 10 Propostas para uma Parceria Mais Ambiciosa". A entrega do documento aconteceu na véspera do encontro oficial do secretário Wilbur Ross com o presidente Jair Bolsonaro e com o ministro Paulo Guedes. Na ocasião, foi anunciado a abertura da negociação do acordo tendo como roteiro a nossa agenda de propostas. 

A Amcham aposta em um avanço realista nas negociações, com discussões iniciais sobre temas que não envolvem tarifas. O ideal, segundo Pretti, seria começar a negociação de medidas para reduzir burocracias, custo e prazo no comércio bilateral. No seu discurso de abertura do encontro, o chairman da Amcham sugeriu iniciar negociações em áreas onde haja mais espaço para progresso rápido, como serviços, compras governamentais, investimentos, comércio eletrônico e facilitação de comércio. 

“Concordar com as regras bilaterais sobre essas questões geraria ganhos econômicos substanciais para ambos os países e abriria caminho para o objetivo maior de um Tratado de Livre Comércio”, lembrou ele, ressaltando que qualquer negociação de livre comércio é um exercício de médio e longo prazos. A Amcham estima que um acordo de livre-comércio com os EUA contribuirá para um aumento de até 1,3% do PIB do País, segundo estimativa de estudo conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Entre os outros nove itens da lista de propostas que os associados da Amcham apresentaram ao secretário americano, há outros dois considerados de fácil execução no curto prazo: um acordo para evitar a bitributação e a participação do Brasil no programa Global Entry, para facilitar a entrada de empresários brasileiros nos EUA.  

“No caso do acordo de bitributação, concordar com as regras bilaterais sobre essas questões geraria ganhos econômicos substanciais para ambos os países e abriria caminho para o objetivo maior de um Tratado de Livre Comércio”, lembrou ele, ressaltando que qualquer negociação de livre comércio é um exercício de médio e longo prazos. Já o Global Entry depende de evoluções na integração dos sistemas da Receita e Polícia Federal com seus órgãos similares nos Estados Unidos. 

No documento entregue ao secretário Ross, a Amcham também defende a intensificação da cooperação regulatória para aproximar exigências dos dois países, a conversão do projeto piloto de análise acelerada de patentes em um acordo permanente. Embora ambos os países representem duas das maiores potencias econômicas das Américas ainda estão longe de atingirem o potencial que dispõem na relação bilateral. “Existe uma ampla gama de oportunidades ainda a serem aproveitadas”, acrescentou Pretti.

Baixe o documento "Brasil-EUA: 10 Propostas para uma Parceria Mais Ambiciosa" completo em português aqui [for the English version, click here]. 

Confira aqui também os vídeos completos dos discurso do Secretário Wilbur Ross e do presidente do nosso Conselho.