Alckmin: sem reformas estruturais, é difícil criar cultura de empreendedorismo no Brasil

publicado 24/07/2018 16h16, última modificação 24/07/2018 16h36
São Paulo – Quem cria empregos são os empreendedores, argumenta o pré-candidato

Sem reformas estruturais que viabilizem investimentos, o Brasil não conseguirá se tornar um país de empreendedores, afirma o pré-candidato do PSDB à Presidência da República. “Governo não cria emprego. Quem cria emprego são os empreendedores. Temos que trabalhar 24 horas para estimular a atividade e a cultura empreendedora”, disse, no quinto debate da série ‘Seu País, Sua Decisão – Presidenciáveis 2018’ da Amcham-Brasil na terça-feira (24/7).

O evento, realizado pela Amcham-Brasil em parceria com o Brazil-US Business Council, trouxe os presidenciáveis Álvaro Dias (18/6), João Amoêdo (14/5), Henrique Meirelles (23/4) e Ciro Gomes (14/3). Cerca de 400 executivos e empresários participaram do evento.

“Para isso, temos que fazer todas as reformas. Assim, vamos atrair investimentos e criar um ambiente favorável à atividade empreendedora”, acrescenta. Como o Brasil tem baixa poupança interna, não vai crescer sem investimento. “Investimento é confiança. Se confio que o país está no rumo certo, vou investir”, disse.

O passo fundamental para criar o ambiente de empreendedorismo é replicar sua experiência como governador do Estado mais rico do Brasil no governo federal. Para isso, pretende zerar o déficit fiscal do governo federal em até dois anos, caso seja eleito. “A primeira coisa a fazer é o ajuste fiscal pelo lado da despesa (déficit), que é o que sabemos fazer. Nossa meta é zerar o déficit, de 2% do PIB, em até dois anos”, disse.

Alckmin governou São Paulo por quatro vezes entre 2001 e 2018, renunciando em abril para disputar a Presidência. O ex-governador observa que a crise econômica dos últimos anos afetou o estado mais intensamente que o resto do país, mas mesmo assim o resultado foi positivo. "No ano passado, fizemos superávit primário de 5,3 bilhões de reais. Todos os estados juntos, na conta final, somaram 2,7 bilhões de reais.”

É um ajuste “extremamente necessário” e o primeiro passo para dar estabilidade econômica e atrair investimentos, acrescenta Alckmin. “Com boa politica fiscal, vamos ter boa política monetária. Provamos que é possível ter juro mais barato. Que ainda não é baixo, mas já melhorou. E também ter câmbio flutuante mais competitivo em uma macro reforma.”

Se eleito, Alckmin disse que vai promover as reformas política, tributária, previdenciária e do Estado no primeiro ano de mandato. Elas serão possíveis em função da legitimidade das urnas, argumenta. "O governante eleito tem a força de 55 milhões de votos e isso é muito grande. Os primeiros seis meses serão essenciais para fazer tudo o que for preciso."

Simplificação tributária

Antes do debate, Alckmin se reuniu brevemente com membros do conselho de administração da Amcham, formado por CEOs de grandes empresas, e recebeu um documento com as propostas da entidade para melhorar a competitividade brasileira.

Um dos pilares da Amcham, a simplificação tributária, também é defendida pelo ex-governador. “Estou plenamente de acordo. Aqui temos cinco impostos (ICMS, ISS, IPI, PIS, Cofins), enquanto que, no mundo inteiro, é um só – o IVA (Imposto de Valor Agregado).”

Comércio exterior

No plano internacional, o ex-governador é favorável à abertura comercial com outros países e blocos. Novos acordos serão buscados tanto no âmbito do Mercosul como em nível bilateral.

“Vamos dar prioridade ao comércio exterior, buscando complementaridade econômica com os EUA, mas também acordos entre Mercosul e União Europeia”, exemplifica. Alckmin também cita Canadá, Coreia e participação no TPP (Parceria Transpacífico, bloco formado por 12 países banhados pelo Oceano Pacífico).