Alta carga tributária, falta de gente qualificada e custo de capital desafiam crescimento do DF

publicado 20/08/2013 12h15, última modificação 20/08/2013 12h15
Brasília – Sondagem da PwC sobre a economia da regional aponta desafios e oportunidades
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Os empresários do Distrito Federal (DF) apontam a pesada carga tributária, falta de profissionais especializados e custos financeiros como os grandes entraves ao desenvolvimento dos negócios na região. “O que agrava a situação é o fato de os incentivos fiscais do governo serem inferiores ao de regiões próximas. Qualquer localidade a 50 km do DF tem benefícios fiscais maiores”, afirma Fabiano Tessitore, sócio da consultoria PwC.

O executivo participou do comitê de Gestão Empresarial da Amcham-Brasília em 13/8. Na reunião, Tessitore apresentou os resultados da sondagem da PwC, ‘A força do Distrito Federal – 2013’, sobre o potencial econômico de Brasília e cidades satélites.

A consultoria ouviu executivos de diversos setores de atividade, sendo que a maioria das empresas possui mais de 100 funcionários. De acordo com a pesquisa da PwC, os impostos elevados foram o principal obstáculo aos negócios para 65% dos entrevistados. “Ainda que a indústria não seja uma vocação local, as empresas já instaladas se ressentem da falta de vantagens tributárias”, ainda conforme o estudo.

O setor de serviços é responsável por 94% do PIB (Produto Interno Bruto) da região, o que acentua a necessidade de profissionais qualificados – segundo obstáculo levantado pelos empresários (44%). E na disputa por mão de obra especializada, o setor público está levando vantagem na atração de pessoal, em função dos altos salários.

“Devido à necessidade de pessoas, o setor público está tomando profissionais da iniciativa privada. O desafio deles é conseguir reter os talentos para que as operações continuem”, comenta  Tessitore.

As empresas revelaram que pretendem manter ou aumentar o número de funcionários em todos os níveis em 2013, e a estratégia para reter talentos envolve a oferta de pacotes indiretos de benefícios. Eles consistem em planos salariais atrativos, treinamentos, carreiras estruturadas e vantagens ligadas à qualidade de vida.

A terceira barreira aos negócios é o custo financeiro, com 35% das respostas. Nesse quesito, Tessitore apenas comentou que o alto custo de captação de recursos é um problema nacional, e não apenas restrito ao DF.

Oportunidades de crescimento

As atividades econômicas com crescimento mais promissor em Brasília e as cidades satélite que formam o DF estão na construção civil (60%), serviços (50%) e governo (48%), indica a pesquisa.  “Faz todo o sentido, uma vez que a economia do DF é praticamente formada por serviços”, argumenta o sócio da PwC.

Ainda segundo a pesquisa, o empresariado considera que as três ações governamentais prioritárias para incentivar o desenvolvimento da região é o combate à corrupção (63%), redução da carga tributária (62%) e investimentos em infraestrutura (60%).

Mas, otimistas, um terço delas projeta faturamento de até R$ 20 milhões para 2013. Outro terço, formado por empresas de grande porte, revelou expectativa de faturar acima de R$ 300 milhões.