Amcham convidou em 2013 entidades e autoridades para debater entraves à economia

publicado 16/01/2014 11h42, última modificação 16/01/2014 11h42
São Paulo – CNI, FIESP, diplomatas de vários países e agências do governo participaram das atividades
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Um Brasil mais competitivo internacionalmente e menos burocrático internamente é uma tradicional bandeira defendida pela Amcham, e cada vez mais compartilhada por outros setores da sociedade.

Ao longo de 2013, entidades empresariais como FIESP [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] e CNI [Confederação Nacional da Indústria] se reuniram na Amcham e listaram as vantagens que um grau maior de abertura comercial traria à economia brasileira.

Instituições importantes do governo brasileiro, como o BNDES [Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social] e ANVISA [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], vieram à Amcham para ouvir sugestões do setor privado sobre qual a melhor forma de solucionar problemas estruturais que desestimulam investimentos e prejudicam a atuação empresarial.

Na mesma linha, representantes oficiais de países como Canadá, México, Peru e Tailândia, que participaram dos debates da Amcham, argumentaram que um ambiente mais favorável aos negócios traz resultados não apenas para o setor privado, mas ao país como um todo.

Necessidade de mais acordos comerciais

Dando sequência ao seu Programa de Competitividade iniciado em 2010, a Amcham trouxe, em agosto, duas das maiores entidades empresariais brasileiras: a CNI e a FIESP. Em consenso com a Amcham, todas defenderam que cada país do Mercosul (bloco econômico formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela) tenha a liberdade de fechar acordos unilaterais de comércio, e que o Brasil busque novos tratados com o resto do mundo.

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Carlos Abijaodi, diretor de desenvolvimento industrial da CNI, disse ser importante que cada país tenha a liberdade de decidir quando se abrir para o comércio mundial. E Mário Marconini, diretor adjunto do departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP, argumenta que a integração com o mundo é uma forma essencial de agregar valor à cadeia produtiva nacional.

O seminário também realizou uma pesquisa interativa realizada com 80 empresários e altos executivos, que destacaram que o Brasil teria maior inserção no comércio mundial se aumentasse o número de acordos e investimentos com outros países.

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Também presentes ao seminário, os representantes diplomáticos do Canadá, México, Peru e Tailândia disseram que os acordos comerciais fechados com o resto do mundo pelos respectivos países tornaram suas economias mais dinâmicas e competitivas.

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ICMS

A padronização do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] em todos os estados também foi tema de seminários na Amcham. Para o economista Delfim Netto, moderador do debate de agosto sobre o tema, um sistema tributário mais racional e que “não desperdice recursos” é uma forma de aumentar a eficiência da economia brasileira.

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Manifestações populares

Os protestos populares de junho, que exigiam serviços públicos de qualidade e o fim da corrupção, também foram debatidos na Amcham. Netto, um dos moderadores do encontro, disse que as pessoas descontentes com a ineficiência do setor público são as mesmas que deveriam ter escolhido melhor seus representantes políticos. “Não há ninguém no Congresso que não tenha sido eleito pelas próprias pessoas que estiveram nas ruas.”

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BNDES e ANVISA

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, esteve na Amcham em outubro. Ele se reuniu com investidores brasileiros e americanos para debater as necessidades de infraestrutura no Brasil e o que poderia ser feito para acelerar investimentos no setor.

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Em agosto, a Amcham recebeu o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, que disse que a melhoria da qualidade regulatória também é uma aspiração da agência. Para isso tem trabalhado na simplificação de processos.

Novembro foi a vez de o diretor de Regulação da Anvisa, Renato Porto, dizer, na Amcham, que a agência tem trabalhado na padronização dos processos de registro de produtos. “O que pretendemos é tornar mais claro, tanto para a agência como para as empresas, os motivos de indeferimento de eventuais processos de concessão de registros.”

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