Amcham: impacto do Brexit será pontual ou indiferente, avaliam 64% dos empresários brasileiros

publicado 13/07/2016 09h19, última modificação 13/07/2016 09h19
São Paulo - Câmara Americana ouviu 113 executivos sobre o impacto da saída do Reino Unido da UE e efeitos no Brasil
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O impacto do Brexit, a saída do Reino Unido do bloco europeu, será pontual/neutra ou indiferente na visão de 64% dos empresários brasileiros, segundo pesquisa realizada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham). A entidade ouviu 113 executivos e diretores de empresas de vários portes e segmentos, durante a realização do evento “Amcham: O que o Brexit significa para o mundo e o Brasil?” promovido em São Paulo, no último dia 6/7.

Para 43% deles, o divórcio na Europa causará uma instabilidade apenas a curto prazo, seguida de manutenção do cenário atual. Outros 21% informaram acreditar que o processo terá baixo efeitos e impactos significativos nas operações brasileiras das empresas ou na economia.

Sobre possíveis efeitos negativos, mesmo que pontuais, os executivos avaliam com mais força três cenários: 1) cambial, com incertezas e maior volatilidade das moedas (31%); 2) imigratórios ou alfandegários, com novas regras para entradas de pessoas ou produtos no Reino Unido (29%); e 3) político, trazendo dificuldades nas relações com os países europeus (20%).

Efeitos positivos

Analisando amplamente, a maioria (54%) dos consultados pela Amcham enxergam efeitos positivos, especialmente, quando se fala na possibilidade de um maior relacionamento comercial Brasil-Reino Unido, em virtude, de possíveis acordos individuais e abertura de novas frentes de negociação, especialmente, para a cadeia agrícola.

Uma parcela de 21% dos entrevistados enxergam também vantagens na atração de capital, com fuga do risco da Europa e investidores buscando novamente mercados emergentes como o Brasil. Sobre possíveis setores que podem/devem ser beneficiados no Brasil foram listados: agrícola (61%); financeiro (35%); indústria (31%); e serviços (30%).

Sobre o Mercosul a perspectiva é mais negativa. Para 43%, o Brexit  trará maior  burocratização e novos empecilhos as negociações do bloco brasileiro com os países europeus restantes. Outros 29% acreditam que serão mantidos as dificuldades e rodadas de negociações já existentes.

Brexit: resultado da lentidão comunitária

Apesar do cenário, a maioria (58%) dos gestores brasileiros ainda não enxergam a decisão britânica como uma tendência de desglobalização do mundo. Na visão de 45%, o principal fator que pesa na decisão é a lentidão da burocracia comunitária de negociações em bloco, com poucas vantagens comerciais.

Outros fatores apontados como causa da decisão foram: o medo e receio do terrorismo global (27%) e maior desejo dos países de verticalizar as atividades produtivas, com priorização na produção local e menos intenção da inserção global (26%).

A pesquisa

A enquete foi aplicada durante o evento promovido pela entidade, em São Paulo, no último dia 6/7. A Amcham ouviu 113 empresários e executivos brasileiros dos maiores variado portes e segmentos econômicos. O conteúdo completo sobre o evento AMCHAM está disponível no www.amcham.com.br. Palestraram no encontro Roberto Gianetti da Fonseca, o diplomata Marcos Troyjo, o encarregado comercial da Embaixada Britânica e time de professores da USP, INSPER e FAAP.