Aneel: troca de medidores brasileiros custará R$ 13,4 bi

por giovanna publicado 01/08/2011 18h25, última modificação 01/08/2011 18h25
Anne Durey
Recife – Novos equipamentos digitais fazem parte do sistema de smart grids que começa a ser implantado em 2013. Custo não será repassado a consumidores.
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A troca de medidores de energia no País deve custar R$ 13,4 bi. A ação faz parte da implantação das smart grids, redes de energia inteligentes, no País, e começará a ser realizada a partir de 2013. As informações são de André Nóbrega, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


“O Brasil possui hoje 67 milhões de medidores de energia. O custo de cada novo medidor será de aproximadamente R$ 200. As distribuidoras de energia serão responsáveis pela troca e não poderão repassar o valor para a tarifa”, explicou Nóbrega, que participou do comitê de Energia da Amcham-Recife na quinta-feira (28/07).

O sistema de smart grids consiste na integração dos dispositivos de gestão de rede, como medidores eletrônicos e sensores digitais, a um sistema de automação, telecomunicações e processamento de dados em tempo real.

De acordo com Nóbrega, o impacto das redes inteligentes na geração e transmissão de energia tende a ser pequeno. “Entretanto, o sistema é revolucionário para a distribuição e o consumo de energia. O consumidor passará a ter uma postura mais ativa em relação ao uso da energia elétrica. Ele poderá visualizar em tempo real, no novo medidor eletrônico, quanto está gastando, tendo maior controle sobre sua conta no final do mês”, analisou o diretor da Aneel.

Processo de Implantação

André Nóbrega aponta a instalação de smart grids como tendência mundial, já que vêm de encontro a preocupações como melhoria da eficiência energética dos países e redução na emissão de CO2. Estados Unidos e Europa são pioneiros na utilização. “Alguns países já registraram adiamentos de até três anos em novos investimentos na geração de energia graças à eficiência energética alcançada com as smart grids”, ilustrou.

De acordo com o executivo, a implantação das smart grids no Brasil está em processo de regulamentação pela Aneel. “Como suporte à regulamentação, estamos realizando consultas e audiências públicas desde 2009, visando o início da utilização das smart grids para 2013”, apontou.

Introduzir tarifas diferenciadas para consumidores residenciais, promover a interação do consumidor com a conta de luz e cuidar da segurança dos dados que serão transmitidos pelos medidores para a centrais elétricas, além da implantação das redes inteligentes, são os principais desafios nesse caminho, indicou Nóbrega.

Vantagens

Além dos benefícios ao consumidor, o sistema de smart grids é visto pela Aneel como importante ferramenta para gestão do sistema elétrico nacional.

“Com o sistema todo automatizado, será possível visualizar qualquer falha ou desvio de energia no momento em que acontece. Isso permitirá tomar medidas preventivas para estancar um potencial dano que a rede possa vir a sofrer”, analisou o diretor da Aneel.