Ano novo com pé direito: expectativas para 2020 são positivas, segundo empresários

publicado 10/12/2019 09h51, última modificação 10/12/2019 14h52
Campinas – Levantamento apontou que 59,52% dos executivos esperam aumentar investimentos no ano que vem
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Comitê de Conjuntura em Campinas

Região que concentra 2,7% do PIB nacional, Campinas pretende contribuir para a retomada da economia brasileira em 2020. É o que revela nossa enquete empresarial realizada em novembro. Na pesquisa, 60% dos empresários e lideranças consultados pela Amcham revelaram que vão aumentar os investimentos no próximo ano.

Os empregos também devem voltar a acontecer na região. Em 58% das empresas, a ampliação de mão de obra já está prevista no orçamento de 2020. Os empresários (72,5%) estão otimistas com o ambiente político e estão confiantes com a Reforma Tributária ainda no começo do próximo ano, segundo 66% deles.   

O levantamento foi realizado com 86 executivos da região. Todos os consultados são membros dos comitês Estratégicos de Business Affairs (grupo formado por presidentes das principais empresas da região), de Young Business Affairs (composto pelas principais jovens lideranças de Campinas) e o grupo Aberto de Conjuntura, que analisa perspectivas e tendências empresariais.    

A opinião dos empresários segue em linha com a análise de Silvio Cascione, da Eurasia Group. Ele acredita que o Brasil em 2020 tende a ter um quadro econômico e politico favorável. Com a aprovação da reforma da Previdência, a análise da consultoria é de que a janela reformista ainda está aberta, o que significa ter espaço para discussão e aprovação de novas reformas, como a administrativa, tributária e reformas fiscais.

NOVOS HORIZONTES

Ademais das reformas, a abertura comercial gradual também é prevista, dado ser uma prioridade para o governo atual e muito poder ser feito sem a aprovação do Congresso. Por exemplo, há ampliação dos acordos comerciais firmados pelo Brasil, dos quais se destacam com a União Europeia, com a Coreia do Sul, com Singapura e com Canadá.

Em relação ao acordo entre Mercosul e UE, há alguma ressalva no que diz respeito a como a Argentina vai se comportar no processo de ratificação. Para o analista da Eurasia, o Brasil conseguirá contornar os obstáculos políticos, uma vez que a ameaça de saída do País do bloco é uma moeda forte de troca com a Argentina.

Politicamente, por fim, o baixo crescimento econômico se coloca como o fator de maior risco para ser monitorado, conforme afirma Silvio. “Um ciclo vicioso entre baixo crescimento, derrapagem fiscal e ambiente de investimentos deteriorado é possível caso o crescimento desaponte e o descontentamento popular cresça”, menciona.

Ainda assim, Silvio afirma que Bolsonaro possui base mobilizada e suas taxas de aprovação estão estáveis. Este fato, na visão dele, é o que explica a análise da existência de baixo risco para manifestações e turbulências sociais e políticas como acontecem hoje no Chile e na Colômbia. “Os próximos 10 meses serão determinantes para colocar o Brasil em um ciclo virtuoso ou em uma trajetória negativa”, finaliza.