Apesar das boas oportunidades, Brasil deve eliminar gargalos para aumentar competitividade

por daniela publicado 26/11/2010 12h41, última modificação 26/11/2010 12h41
Porto Alegre - Para economista, País tem de adequar relação entre produção e consumo.
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O Brasil, embora esteja vivenciando uma fase posistiva, precisa trabalhar para superar obstáculos que o tornam menos competitivo e atraente ao empreendedorismo e, também, adequar a relação entre produção e consumo para manter a estabilidade econômica e sustentar o desenvolvimento nos próximos anos. É o que defende o economista e cientista social Eduardo Giannetti.

O especialista reconhece que o último governo emplacou mudanças macroeconômicas, socioeconômicas e geopolíticas que possibilitaram ao Brasil alcançar o 8° maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo. Atualmente, bons ventos sopram e, conforme dados da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), o País ocupa a terceira colocação em atratividade de investimentos estrangeiros. Além disso, o Brasil se beneficia por ser uma das nações com as maiores reservas minerais do mundo, junto com Austrália e Estados Unidos, em um momento de intensa demanda por commodities e elevadas cotações.

“Apesar de viver um momento totalmente favorável, não podemos confundir as oportunidades com a realidade de base do Brasil, que precisa ser aprimorada para seu crescimento duradouro e sustentável. Antes de

nos embalarmos pelo otimismo reinante, temos de avaliar o número de produção média per capita. O Brasil ainda é considerado um País de média produção devido ao baixo estoque de capital físico e humano e à falta de um sistema econômico bem planejado”, disse Giannetti na quarta-feira (24/11) no CEO Fórum, que integra o III Ciclo de Decisões da Amcham-Porto Alegre.

O estudo do World Economic Forum (WEF) 2009-2010, colocou o Brasil na 56º posição do ranking de Competitividade Global e apontou como principais aspectos que impedem o Brasil de se tornar mais agressivo nos negócios o tamanho e a eficiência do Estado, a qualificação da mão de obra, a infraestrutura, a complexidade jurídica e a

burocracia. Para diminuir o impacto que essas deficiências causam ao setor privado, a Amcham realizou o projeto "Competitividade Brasil – Custos de Transação", que elencou, através de debates e pesquisas com seus associados, as principais ações que o novo governo deve tomar para melhorar os negócios no País.

“Ser brasileiro nos dias de hoje é um privilégio. Executivos, empresários e empreendedores devem agarrar as oportunidades e melhorar o planejamento e a gestão de seus negócios para dar continuidade à boa fase”, lembrou Gabriel Rico, CEO Amcham Brasil, que também esteve no CEO Fórum.

Perante a esse cenário, Giannetti destacou a importância de preparar o futuro, e coloca isso como responsabilidade das atuais lideranças. “O CEOs podem discutir ideias, propondo, mostrando quais são as dificuldades para reger seus negócios e encontrar maneiras para melhorar a produtividade da economia brasileira”, disse ele.

Continuidade

A consultora Vicky Bloch acredita que o principal desafio que os CEOs encontram hoje é a complexidade das relações organizacionais. Ela esteve no evento da Amcham e apontou ainda a importância da profissionalização e de processos sucessórios bem estruturados, especialmente em companhias familiares, para a perenidade das operações. “Sucessão é um processo e faz parte da vida”, enfatizou a coach de carreiras com foco em CEOs.

Para Alexandre Silva, presidente do Conselho da Amcham e conselheiro de empresas como TAM, Fundições Tupy e Equatorial Energia, deixar a presidência da GE do Brasil, em 2007, exigiu uma grande preparação. “O planejamento pode ser feito por você mesmo ou com ajuda de uma consultoria externa. Ele ajuda a minimizar o sofrimento de quando optamos por uma grande mudança.”

Nelson Sirotsky, presidente do Grupo RBS, rede de comunicação da região Sul, passou por uma situação diferente da de Alexandre Silva. Quando seu pai faleceu, ele tinha 37 anos e teve de sucedê-lo repentinamente. “Uma empresa familiar envolve o universo complexo das relações de família e propriedade. Não existe uma fórmula ideal e objetiva em processos de sucessão familiar”, considerou ele no CEO Fórum. Mesmo assim, Sirotsky avalia que criar fóruns e conselhos internos que discutam o envolvimento familiar e organizacional e desenvolver um modelo de governança com ajuda de assessorias externas facilitam o momento da escolha do próximo líder.