Ataques cibernéticos vão gerar perdas de oito trilhões de dólares nos próximos anos, diz Marsh

publicado 09/03/2018 10h31, última modificação 09/03/2018 10h58
São Paulo – Para Eugenio Paschoal (CEO da Marsh), ciberataques são a maior preocupação dos CEOs mundiais
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Eugenio Paschoal, CEO da Marsh Brasil: “Existe um gap de proteção entre o potencial de perda com ciberataques e a capacidade de seguro contratada”

A maior preocupação dos empresários e autoridades mundiais em 2018 são os ataques cibernéticos, de acordo com a Pesquisa de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial (FEM). “Com a escalada de ameaças cibernéticas, o custo estimado desses crimes nos próximos cinco anos é de oito trilhões de dólares”, afirma Eugenio Paschoal, presidente e CEO da Marsh Brasil, no comitê estratégico de CEOs & Chairpersons da Amcham – São Paulo na quarta-feira (7/3).

A Marsh é a instituição que conduziu mundialmente a pesquisa de riscos do FEM. Os crimes cibernéticos consistem em violações virtuais de segurança que podem resultar em roubo de dados e valores. As motivações por trás dos ataques às empresas também incluem extorsão, paralisação de atividades e danos reputacionais.

Ainda segundo a pesquisa, as ameaças cibernéticas estão no topo da lista de preocupações na América do Norte, Europa e Ásia. “Existe um gap de proteção entre o potencial de perda e a capacidade de seguro contratada”, segundo Paschoal. “Somente prevenção não é mais suficiente, e as empresas precisam desenvolver capacidade de resposta para situações dramáticas”, acrescenta.

Na América Latina, os ciberataques ocupam a segunda posição na lista de prioridades. A grande preocupação apontada pelos líderes da região são as repercussões de mídia social e fake news, bastante influenciadas pelas respostas dos CEOs brasileiros. “É compreensível em função das incertezas do ano eleitoral”, comenta Paschoal.

América Latina

Para Carlos Santiago, Líder da Marsh Risk Consulting no Brasil, as pesquisas indicam que as empresas da América Latina não estão fazendo a “lição de casa” em relação à preparação para responder aos riscos cibernéticos. “Uma pesquisa da Marsh e Microsoft do ano passado mostra que 17% dos executivos, de empresas da região latinoamericana, relataram que sua empresa sofreu um ataque cibernético bem sucedido nos últimos doze meses. Apesar disso, uma grande parcela delas não têm feito a lição de casa para entender e quantificar esse risco”, comenta.

Apesar do potencial maior de perdas financeiras originadas do mundo virtual, as empresas têm dado mais atenção ao risco de exposição a catástrofes naturais do que aos ciberataques, compara. De acordo com a Marsh, o custo econômico atual estimado de ataque cibernético para a economia mundial está em um trilhão de dólares. Já a perda total com eventos climáticos está na ordem de 300 milhões de dólares.

O motivo do desequilíbrio de prioridades é histórico. “Quando se olha para a região, constata-se que nos últimos cem anos a economia foi afetada por desastres naturais. Isso trouxe como resposta a organização de redes de empresas para minimizar esse risco. O risco cibernético, até por ser emergente, não tem essa história de longa data”, argumenta Santiago.

O executivo defende a inclusão das ameaças cibernéticas no planejamento das empresas. “Executivos, conselhos de empresa e autoridades precisam encarar o desafio de desenvolver uma estratégia que permita, além de gerar inovação e crescimento, pensar em uma ameaça que pode acontecer e atrapalhar a estratégia de negócios.”

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