Até a posse do novo presidente, mercado trabalhará “resignado”, aponta economista do Fator

publicado 11/08/2017 10h20, última modificação 17/08/2017 09h20
São Paulo – Para José Francisco Gonçalves (Banco Fator), expectativa de mudanças estruturais na economia é baixa
José Francisco de Lima Gonçalves

José Francisco de Lima Gonçalves, do Banco Fator: PIB deve crescer pouco neste e no próximo ano

Até a posse do novo presidente no início de 2019, o mercado trabalhará “resignado” com um cenário de crescimento econômico moderado ou fraco, de acordo com José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. “Há certa resignação ou complacência do mercado, porque a expectativa de que aconteçam reformas vistas como decisivas nos próximos meses é muito baixa”, afirma Gonçalves, no comitê de Finanças da Amcham – São Paulo na quarta-feira (9/8).

“As mudanças são vistas como inevitáveis em 2019, caso a situação fique insustentável ao longo de 2018. Então o pensamento do mercado é que, se não dá agora, em 2019 vai dar e teremos que aguentar até lá. Essa é a expectativa geral”, continua. De acordo com o Fator, o PIB brasileiro deve crescer 0,4% em 2017. A estimativa está ligeiramente acima do mercado, que projeta 0,34%, conforme o Boletim Focus do Banco Central de 4/8.

Gonçalves comenta que uma das reformas aguardadas é a da Previdência, crucial para reduzir o crescimento dos gastos públicos. Quanto mais tempo levar para ser aprovada, mais vai pressionar os gastos e obrigar o governo a diminuir o orçamento de outros setores – ou aumentar impostos – para manter o equilíbrio fiscal. “O corte de gastos é crítico para isso, e é preciso lembrar que o governo se comprometeu a cortar despesas”, destaca.

Além disso, o governo também vai deixar de fazer investimentos importantes para cumprir a meta. É por isso que a aprovação de reformas é crucial para que a administração federal continue tendo recursos para usar em melhorias públicas. “O investimento do governo caiu de 1% do PIB em 2014, para 0,5% nos anos seguintes. E qualquer recurso que seja usado para incentivar o PIB vai ajudar no crescimento”, reforça Gonçalves.

A relativa estabilidade do presidente Temer, reforçada pelo arquivamento da denúncia de que teria praticado corrupção passiva, abre espaço para que seu governo se concentre na aprovação da reforma da Previdência. “É factível considerar que a reforma avance ainda esse ano. Mas o mais provável é que apenas a aposentadoria por idade mínima seja mantida na proposta original”, segundo o economista.

Para o ano que vem, o crescimento estimado pelo Banco Fator será baixo. A projeção do banco é de um expansão de 1,4% do PIB, abaixo dos 2% estimados pelo mercado.

 

registrado em: