Auditorias defendem segregação de funções e investimentos em tecnologia para desenvolver atividade

por giovanna publicado 01/03/2011 18h21, última modificação 01/03/2011 18h21
São Paulo – Criação de comitê para monitoramento do trabalho dos inspetores externos e desenvolvimento de programas mais eficientes diminuirão vulnerabilidades nas empresas, dizem especialistas.

As auditorias externas, responsáveis pelo exame e pela avaliação das demonstrações financeiras das companhias abertas, defendem maior separação de funções entre as instâncias decisórias corporativas e também aumento de investimentos em tecnologia para aumentar o alcance das inspeções.

A constituição de um comitê de auditoria ou de um conselho fiscal com alçada para contratar e monitorar as auditorias externas é uma prática bem-vinda e demonstra o comprometimento da alta administração com a segregação de funções, segundo Luís Passeti, sócio de auditoria da Ernst Young, que participou do comitê estratégico de Governança Corporativa na Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (02/03).

“Os comitês precisam evoluir para reforçar os controles internos e evitar conflitos de interesse”, disse Passeti. Empresas brasileiras que negociam recibos de ações na Bolsa de Nova York (ADRs) são obrigadas pela comissão de valores mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) a formar comitês de auditoria, conforme a lei americana Sarbanes-Oxley. A regulação é de 2005, criada com o objetivo de evitar fraudes contábeis no mercado americano.

Para as companhias brasileiras, a SEC autorizou a substituição dos comitês pelos conselhos fiscais, que, com certas adaptações, podem exercer a função de contratar e monitorar os trabalhos das auditorias externas.

Separação de funções

Com órgãos específicos, as contratações dos serviços de auditoria poderiam deixar de ser feitas pela área financeira, como ocorre hoje em muitos casos. “Ela é a mais auditada na preparação das demonstrações, então há conflito de papeis”, assinalou Passeti. “Além dos controles internos, como se pode evitar uma ingerência demasiada dos administradores na preparação, por exemplo, do cálculo de uma provisão?”, questionou.

A prática habitual é de que o departamento financeiro, quando não é o responsável direto pela contratação das auditorias, recomende uma firma para o conselho de administração. Esta, por sua vez, acaba endossando a decisão.

Ivan Clark, sócio de auditoria da Pricewaterhouse Coopers (PwC), também sustenta a relevância da criação de comitês de auditoria, que define como “um organismo específico, com entendimento maior do assunto”. Clark lembra que a legislação brasileira estipula que a contratação da auditoria deve ser feita pelo conselho de administração, enquanto nos Estados Unidos essa função cabe ao comitê de auditoria.

Desenvolvimento de novas tecnologias

A criação de aplicativos de auditoria mais robustos é a chave para o aumento da eficácia nos exames das demonstrações financeiras. “Quando há a necessidade de auditar grande volume de informações homogêneas, como a entrada de notas fiscais de venda, o ideal é criar programas específicos”, indicou Clark, da PwC.

Os pareceres de auditoria são emitidos com base em exames amostrais das contas mais relevantes. “O software acaba avaliando a base de dados e identifica as exceções que estão fora dos parâmetros. Caso os testes revelem novas exceções, o escopo do exame acaba aumentando”.