Brasil "grande" se faz com aumento de competitividade, afirma Hélio Magalhães

publicado 16/10/2018 09h41, última modificação 16/10/2018 12h33
Curitiba – Presidente do conselho compara dados que fazem do país “grande” e “pequeno” ao mesmo tempo
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De acordo com Hélio Magalhães, presidente do Conselho de Administração da Amcham-Brasil, as disparidades de desenvolvimento fazem do Brasil um país “grande” e “pequeno” ao mesmo tempo, e só com aumento de produtividade é possível se consolidar como grande. “A situação é grave. Sem competitividade, o Brasil não cresce”, afirma, no Fórum +Competitividade Brasil da Amcham-Curitiba (27/9).

Citando indicadores mundiais de competitividade, Magalhães ilustra que o Brasil “pequeno” é o que está na 125ª colocação no ranking Doing Business do Banco Mundial, o 78º no Índice de Competividade do Fórum Econômico Mundial e o 64º do Índice Global de Inovação da Universidade de Cornell (EUA).

No comércio global, o Brasil ocupa posições intermediárias. É o 23º exportador global e o 25º importador, conforme dados da OMC (Organização Mundial do Comércio). E a riqueza produzida no país não vem das trocas internacionais, mas da produção interna. “O Brasil tem 3,1% do PIB do mundo, mas representa apenas 1,2% do comércio global”, detalha.

Os indicadores sociais também estão longe do que apresenta um país desenvolvido, acrescenta o dirigente. O IDH brasileiro é o 79º do mundo e o índice de Leitura, Ciências e Matemática do Teste PISA, da OCDE, põe o Brasil entre os piores do ranking. Ainda segundo a OCDE, o Brasil é o 79º país em alfabetização de adultos.

Brasil Grande

Para Magalhães, o Brasil “grande” é o oitavo país mais rico do mundo, com um PIB de 2,3 trilhões de dólares, o quinto mais populoso (209 milhões de habitantes) e também o quinto mais extenso do mundo, com 8,3 milhões de quilômetros quadrados.

As reservas internacionais do Brasil somam 374 bilhões de dólares, o que permite ao país honrar seus compromissos internacionais, e a produção de petróleo, de 2,8 milhões de barris diários, colocam o país entre os dez melhores nesses indicadores, pontua Magalhães.

Responsabilidades

O aumento da competitividade brasileira depende de o Estado e empresariado aumentarem a eficiência dentro das esferas respectivas de atuação, assinala Magalhães. Para o estado, lista a necessidade de reduzir a carga tributária, combater a corrupção, eliminar a instabilidade jurídica e a burocracia ineficiente.

Também passa pelo fortalecimento das agências regulatórias, melhorar a qualidade dos serviços públicos (Educação, Saúde e Segurança) e aumentar a participação nas cadeias globais. “Estamos falando de uma estratégia de estado que depende de governo, legislativo e judiciário”, reforça.

Os pilares da estratégia estão no documento de competitividade da Amcham que pode ser acessado aqui.

A parte do setor privado é combater a corrupção, aprimorar a governança corporativa, melhorar a qualidade do planejamento, aumentar a produtividade e investir nas pessoas. E, além de cobrar melhorias do governo, “compartilhar a responsabilidade em busca de soluções”.