Boa comunicação melhora resultados e alinhamento entre empresa e seus fornecedores

por marcel_gugoni — publicado 14/08/2012 17h36, última modificação 14/08/2012 17h36
São Paulo – Conforme Afrânio Haag, diretor corporativo de Suprimento do Fleury, gestão de fornecedores eficiente requer proximidade e relações estratégicas.
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Por trás da qualidade de uma grande empresa, há sempre uma cadeia de fornecedores e suprimentos bem desenvolvida. E, para chegar à excelência, o caminho passa pelo desenvolvimento dos canais de comunicação de uma companhia com seus parceiros de negócios e pelo alinhamento estratégico de ambos. É o que diz Afrânio Haag, diretor corporativo de Suprimento do grupo Fleury de medicina e saúde.

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“A gestão de fornecedores é de extrema importância porque é uma das principais portas de comunicação da empresa com o mercado em geral”, afirma. O executivo falou à reportagem do site após participar do comitê estratégico de Compras Corporativas da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (13/08). O encontro debateu o tema da gestão de fornecedores.

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Para Haag, a empresa que alinha suas metas e estratégias às de seus aliados no mercado tem um diferencial competitivo. “O resultado de comunicação mais aproximada, de alinhamento de expectativas e de compartilhamento de estratégias é um retorno maior”, defende.

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Sem falar na capacidade expandida para enfrentar crises “porque uma relação mais próxima e mais sólida com os fornecedores é a melhor solução para esses problemas. Ao alinhar valores e estratégia entre os players da cadeia, é possível sair na frente graças à predisposição dos parceiros em encontrar alternativas aos problemas com vantagens a todos”.

“Qualquer relacionamento começa a terminar quando a comunicação falha. Com os negócios, funciona da mesma forma”, diz. Para avançar no assunto, ele prega que as companhias implantem programas de gestão de seus fornecedores de suprimentos para poder avaliar de perto a qualidade dos negócios.

Níveis de parceria

Celso Durazzo, sócio da área de Supply Chain da consultoria Ernst & Young Terco, também participou da reunião do comitê e defendeu que a melhor abordagem para segmentar fornecedores se baseia em um conjunto abrangente de critérios de segmentação e priorização, seguindo níveis de importância ligados a áreas de geração de valor e ao direcionamento para metas e objetivos da empresa.

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Haag explica que a rede Fleury implantou um programa de avaliação periódica de seus fornecedores há três anos, em que cada parceiro é avaliado em cinco aspectos: qualidade do produto ou serviço prestado, pontualidade de entrega, termos e condições contratuais, implantação de práticas de sustentabilidade e promoção da inovação e da criatividade.

As empresas de quem o laboratório compra produtos e serviços são separadas em três níveis, de acordo com o impacto de seus negócios na cadeia como um todo. “Temos uma base de 3000 fornecedores. Obviamente, não é possível dar o mesmo nível de relacionamento a todos”, afirma.

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No primeiro nível, enquadra-se uma carteira de parceiros de itens cujo mercado é amplo, de fácil reposição ou que oferecem baixo risco ao core business do laboratório. Trata-se de parcerias com o comércio de produtos e insumos operacionais, empresas terceirizadas de serviços de facilities (limpeza e segurança, por exemplo) e outros.

O segundo nível exige um controle mais rigoroso do que o estrato anterior. “Esses teriam mais impacto no negócio de maneira geral porque, se houver uma eventual ruptura de fornecimento, não há um mercado amplo para esse tipo de produto ou serviço.”

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Entre os exemplos, só para ficar na área de atuação do laboratório, estão fabricantes de insumos específicos de análises clínicas até medicamentos, e outros produtos mais restritos.

Olhar de perto

O terceiro nível é o que requer maior controle e rigor. Haag diz que o Fleury trabalha com 55 parceiros estratégicos – fornecedores de tecnologia ou outros recursos que afetam diretamente o core da empresa – que merecem ser olhados de perto.

“Nos relacionamos formalmente com essas empresas, promovendo visitas e avaliações trimestrais, discutindo as estratégias de crescimento e a necessidade de desenvolvimento daquele segmento com serviço ou produto fornecido.”

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A necessidade de desenvolver esse tipo de diálogo aproximado e de alinhamento de negócios resultou em um plano específico de gestão de fornecedores – batizado de Programa de Excelência em Relacionamento com a Cadeia de Fornecedores (Perc). “Ele tem se mostrado bastante proveitoso, já que verificamos melhora na qualidade dos fornecedores em função do acompanhamento mais próximo.”

Haag analisa que a boa gestão dessa carteira de aliados por meio de um programa de avaliação de relacionamento traz vários resultados, “principalmente de imagem positiva”.  “No Fleury, trabalhamos muito com o relacionamento dessa cadeia. Então, não é só de busca de desempenho, mas também de comunicação e de entendimento do mercado de maneira geral.”