Brasil deve investir em acordos comerciais com EUA e UE, aponta estudo AMCHAM/FGV

publicado 09/05/2016 08h53, última modificação 09/05/2016 08h53
São Paulo - Parcerias e cortes de tarifas trariam benefícios ao PIB, balança comercial e fluxo de comércio no longo prazo
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Acordos comerciais com Estados Unidos e União Europeia, com eliminação de tarifas e diminuição de barreiras não-tarifárias (NTBs), podem trazer benefícios econômicos para o Brasil a longo prazo. A conclusão é do estudo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), encomendado à Fundação Getulio Vargas/FGV, que simulou seis situações de acordos econômicos entre Brasil, EUA e EU, juntos e separadamente, projetando seus impactos no PIB, balança comercial e fluxo de comércio até 2030.

A pesquisa foi apresentada na manhã de hoje (9/5), em São Paulo, dentro do programa Mais Competitividade Brasil da Amcham, que tem como objetivo reunir propostas e sugestões que possam contribuir para elaboração de políticas públicas que favoreçam o crescimento da competitividade do país e de suas empresas. O estudo foi realizado pelos professores Vera Thorstensen, coordenadora do Centro do Comércio Global e Investimento da FGV, e Lucas Ferraz, que coordena o Núcleo de Modelagem da fundação.   

Resultados do estudo

Dados do FMI mostram que o Brasil representa cerca de 3% do PIB Global (2015) e apenas 1,2% do comércio internacional (2014), o que diagnostica uma economia  fechada, com poucos acordos comerciais. A situação do país distancia o país da economia internacional, onde 65% das transações entre países ocorre no âmbito de acordos comerciais (FGV 2014). Nos últimos anos, as economias mais fortes estão organizando mega-acordos, como o TPP (Trans-Pacific Partnership) e o TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership), com a tendência de eliminar tarifas e diminuir as barreiras não-tarifárias.

Além dos poucos acordos comerciais, o país priorizou historicamente as negociações com o Mercosul, ficando de fora das principais cadeias globais de valor, prejudicando a competitividade e produtividade da economia brasileira. Para os especialistas da FGV, acordos com países desenvolvidos como os EUA e com o bloco da UE trariam benefícios na integração do país nas cadeiras globais de valor, com a importação de bens intermediários e conteúdo tecnológico.

Para um acordo de preferencias comerciais com os EUA e eliminação de 100% das tarifas e 40% das NTBs, a projeção do estudo é de aumento das exportações (6,94%), importações (7,46%) e crescimento do PIB (em 1,29%). Já com a UE, nas mesmas condições, os benefícios seriam ainda maiores: um aumento de cerca de 12,33% nas exportações, 16,93% em importações e crescimento de 2,8% no PIB. O setor agrícola se beneficiaria com os dois acordos; já na indústria, poderia haver ganhos e perdas, dependendo do setor.

O estudo também simulou a participação do Brasil no TTIP, um acordo comercial em negociação entre EUA e UE. A conclusão foi que o melhor cenário seria a inclusão no acordo, caso ele seja fechado. A conclusão do TTIP sem o Brasil traria impactos negativos tanto para o PIB quanto para fluxo de comércio.

A recomendação do relatório é que haja cautela na hora de fechar os acordos. Um planejamento cuidadoso e a longo-prazo, envolvendo tanto a indústria quanto o governo, para que o setor seja reformado e assim ganhe níveis maiores de competitividade. O setor privado deveria promover a produtividade dentro da empresa, enquanto o governo investiria em medidas como redução da carga tributária, aumento na qualificação da força de trabalho e adoção de uma política fiscal que promova uma taxa de câmbio real mais estável.

A síntese completa do estudo da Amcham/FGV está disponível no seguinte link: http://estatico.amcham.com.br/arquivos/2016/estudo-fgv-mai.pdf

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