Brasil negocia entrada na OCDE, diz secretário do Itamaraty

publicado 15/09/2017 15h44, última modificação 18/09/2017 09h39
São Paulo – Processo de adesão está avançado, segundo o embaixador Carlos Cozendey
Carlos Márcio Cozendey

Carlos Márcio Cozendey, do Ministério das Relações Exteriores: na OCDE, o Brasil quer participar e contribuir com a formulação de políticas públicas, padrões técnicos e agenda de discussões

O Brasil está negociando sua entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como membro oficial, afirma o embaixador Carlos Márcio Cozendey, subsecretário geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).

“Estamos em processo de adesão junto à OCDE. A organização é um fórum mundial de discussão de políticas públicas, padrões técnicos e agendas que inspiram negociações em instâncias internacionais”, disse Cozendey, no Seminário Relação Bilateral Brasil – EUA da Amcham – São Paulo na sexta-feira (15/9). “Entendemos que é melhor estar presente no momento em que os conceitos são formulados do que participar depois, com eles já definidos”, acrescenta.

Na organização, o Brasil participa de vários comitês temáticos, porém não como membro oficial. Mas é intenção do governo estreitar a relação pelos motivos já citados. O primeiro é aperfeiçoar a criação de políticas públicas por meio de troca de experiências com os governos membros. “Boa parte do benefício é nos compararmos e adotarmos as melhores práticas. Também podemos divulgar o que está sendo feito no Brasil”, segundo o embaixador.

O país também quer ter voz ativa na adoção de padrões internacionais. “Eles são obrigatório para os membros, mas dada a sua importância, acabam se tornando universais”, explica o embaixador. O mesmo vale para as grandes discussões mundiais. É comum que temas influentes surjam na OCDE, dada a qualidade dos pesquisadores.

“Em determinado momento, elas acabam se tornando negociações internacionais. Foi o caso da regulamentação do setor de serviços da OMC (Organização Mundial do Comércio), que nasceu na OCDE. Assim com o marco da Economia Digital”, menciona Cozendey.

Para o embaixador, a entrada do Brasil na organização vai aumentar a influência do país nas discussões internacionais, e também se alinha à diretriz da OCDE de abrir espaço para os países emergentes. “Quando se discute a aprovação de uma norma, a adesão tem que ser global. Nesse caso, quanto mais países se comprometerem, maior será a eficácia da medida”, argumenta o embaixador.

De acordo com Cozendey, o processo de entrada está bem encaminhado. “O Brasil é um dos seis países candidatos, mas somos o que tem o processo mais avançado de negociação. Para nós, não será um grande drama cumprir os requisitos necessários.”

 

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