Brasil tem empresas interessadas em investir em infraestrutura logística, diz diretor da EPL

por marcel_gugoni — publicado 14/12/2012 10h40, última modificação 14/12/2012 10h40
São Paulo - Hélio Mauro França, diretor da Empresa de Planejamento e Logística, afirma que País busca não só capital, mas gestão e conhecimento técnico de operação de rodovia, ferrovia e portos.
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A modernização e a ampliação da infraestrutura logística são imperativos para retomar a competitividade do País. Há empresas interessadas e capital disponível, tanto do setor privado quanto do público para transformar esses projetos em realidade, afirma Hélio Mauro França, diretor da Empresa de Planejamento e Logística (EPL). “Estamos em busca não só de capital, mas de gestão e conhecimento técnico de operação de rodovia, ferrovia e portos.”

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A estatal, que é responsável pelos projetos de melhorias de portos, ferrovias e rodovias, aponta que o Brasil busca parceiros no setor privado para investir nos projetos pelo modelo de parcerias público-privadas (PPP). O governo se compromete a financiar, com recursos principalmente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre 65% e 80% de todas as obras que a EPL considera essenciais.

Pelos números da empresa, o País precisa de pelo menos R$ 193 bilhões para obras de expansão das malhas ferroviárias e rodoviárias e de capacidade de estocagem e ancoragem em portos. O diretor da EPL participou do comitê aberto de Logística da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (13/12), onde detalhou as necessidades logísticas do Brasil.

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Segundo França, há empresas no País com capacidade financeira para tocar os projetos. Mas ele não descarta a participação de empresas estrangeiras. “Há outros mercados com interesse em investir aqui, principalmente neste momento de situação econômica global adversa, onde as oportunidades de investimentos em infraestrutura são sempre o melhor caminho para sair de uma situação mais difícil e complicada.”

O ponto crítico é oferecer projetos de licitação de boa qualidade, que permitam taxas de retornos às empresas que explorarem os modais. Trata-se de “elaborar projetos com qualidade, com bom planejamento, dentro de cronogramas adequados de modo que quando se fizer a licitação, haja informações que deem condições de os proponentes fazerem as melhores propostas”, diz.

Leia os principais trechos da entrevista com Hélio Mauro França:

Amcham: Qual o papel da iniciativa privada nestes projetos?

Hélio Mauro França: O papel da iniciativa privada é investir. Serão estabelecidas concessões e condições de participação a cada um dos investidores de acordo com seu perfil, seja de operador, fornecedor, detentor de experiência para que façam propostas para explorar e construir uma ferrovia, ser concessionário de rodovia, prestador de serviços de portos. Para cada uma dessas áreas, haverá editais específicos de participação. O governo entende que existem investidores interessados, capitais privados disponíveis, e daí oferece financiamento público para garantir maior número de participantes.

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Amcham: O governo vai participar de que forma no financiamento dos R$ 193 bilhões que serão necessários às obras?

Hélio Mauro França: Esses R$ 193 bilhões são estimativas de investimentos. Haverá financiamento público entre 65% e 80%. Quem vai executar tudo isso é a iniciativa privada. O governo não entra com seu capital próprio, mas com financiamento público.

Amcham: Quais são os modais de transporte e logística brasileiros que requerem os investimentos mais urgentes?

Hélio Mauro França: Cada um tem a sua necessidade. Há necessidade de levar ferrovias para novas fronteiras agrícolas e implantar um sistema ferroviário moderno não só com pátios de estocagem e com movimentação de cargas, mas que cheguem também chegando aos terminais portuários de forma adequada por um modal competitivo, além de ter rodovias para abastecimento desses terminais. Cada região e modal tem sua especificidade. O fato é que não existe uma situação com infraestrutura eficiente se um desses modais, seja o ferroviário, o naval, o rodoviário ou o aeroportuário, for ineficiente. É preciso buscar equilíbrio e harmonia e equilíbrio de todos eles.

Amcham: Qual sua avaliação sobre a competitividade do Brasil após a conclusão dessas obras?

Hélio Mauro França: Há investimentos com parte significativa nos próximos cinco anos. O que se pretende é colocar o Brasil em posições logísticas competitivas aos demais parceiros e competidores internacionais. É preciso trazer o nível de competitividade da economia brasileira ao mesmo padrão de eficiência internacional. A logística está na agenda de problemas do Brasil há tempos. Temos que reverter isso.

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Amcham: Na questão dos investimentos, há empresas com capacidade financeira para buscar esses aportes no Brasil?

Hélio Mauro França: Com certeza. Não só no Brasil, como em outros mercados com interesse em investir aqui, principalmente neste momento de situação econômica global adversa, onde as oportunidades de investimentos em infraestrutura são sempre o melhor caminho para sair de uma situação mais difícil e mais complicada. E a questão é elaborar projetos com qualidade, com bom planejamento, com boas técnicas, dentro de cronogramas adequados, de modo a que, quando se fizer a licitação, haja informações que deem condições de os proponentes fazerem as melhores propostas. Esse é um ponto crítico que temos que ultrapassar ao oferecer projetos de boa qualidade.

Amcham: Isso quer dizer que estamos abertos à busca de parceiros internacionais?

Hélio Mauro França: Absolutamente. Estamos em busca não só de capital, mas de gestão e conhecimento técnico de operação de rodovia, ferrovia e portos.