Brasil tem escala, mas complexidade tributária é “frustrante”, diz líder mundial da Unysis

publicado 11/04/2018 12h39, última modificação 11/04/2018 14h35
São Paulo – Na Amcham, o chairman e CEO, Peter Altabef, expôs suas perspectivas sobre competitividade

Em termos de importância de negócios, o Brasil é o país da América Latina que mais oferece economia de escala, de acordo com Peter Altabef, presidente do conselho (chairman) e CEO mundial da Unysis. “Quando você olha para escala o Brasil é, de longe, o maior país”, comenta, no comitê estratégico de Presidentes da Amcham-São Paulo na terça-feira (10/4)

“Por toda a América Latina, do México para baixo, mais ou menos a metade de todo dólar gasto em tecnologia da informação (TI) está no Brasil. Então o Brasil tem escala”, reforça Altabef.

A possibilidade que o Brasil oferece de produzir com custos médios diluídos pela extensa capacidade industrial é um dos fatores que as companhias americanas levam em conta na hora de investir. “O Brasil é um exemplo maravilhoso na América do Sul. Em uma competição global, um dos requisitos é ter escala”, argumenta.

Altabef acompanha o mercado brasileiro há vários anos e conhece os desafios de se fazer negócios por aqui. Antes de assumir a liderança da Unysis, foi CEO de duas empresas que operavam no Brasil: a Dell Services e a Micros Systems – posteriormente adquirida pela Oracle.

Ele revela que a complexidade tributária do país é “frustrante”. “Não é possível prever a rapidez com que as regras dos tributos estaduais e federais mudam. É complicado, mas sempre procuro estar em compliance com as regras”, segundo o executivo. Outro ponto desafiador foi a legislação trabalhista que deve ficar “menos complicada” com a reforma, acrescenta Altabef.

Cibersegurança

Para Altabef, as transformações digitais em curso vão ampliar ainda mais o tráfego de dados pelo mundo e a segurança no armazenamento vai se tornar uma questão crucial. Até hoje, o executivo estima que dezesseis trilhões de gigabytes de dados (ou 16 zetabytes) foram produzidos no mundo. “Nos próximos sete anos, espera-se que a produção mundial atinja 163 zetabytes. Ou seja, um crescimento de dez vezes o volume atual”, detalha.

Ao mesmo tempo em que haverá muitos dados sendo produzidos, também vai crescer proporcionalmente o número de “pessoas más” para tirar proveito de eventuais falhas de segurança. “Tudo vai acontecer muito rapidamente. Pessoas vão criar máquinas e algoritmos para controlam sistemas globais de comunicação”, resume.

Em relação à tecnologia, Altabef recomenda incluir a cibersegurança na agenda dos conselhos de administração. A escala e a complexidade da gestão de dados exigirá uma estrutura dedicada, segundo o executivo. Para ele, será necessário criar a figura do CISO (sigla em inglês para o principal executivo de segurança da informação) e considerar o desenvolvimento de nuvem privada.

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