Brasil tem oferta de energia garantida até 2014, diz consultor

por mfmunhoz — publicado 02/11/2010 10h13, última modificação 02/11/2010 10h13
São Paulo - Para José Rosenblatt, há investimentos e margem para suportar possíveis atrasos de obras

O País conta com oferta energética garantida até 2014. Os investimentos programados são suficientes e há uma margem de segurança para suportar eventuais atrasos nos cronogramas das obras. A análise é de José Rosenblatt, consultor na área de Energia da PSR Consultoria.

“Não há nenhum problema nesse momento que seja visível, inclusive pelo fato da demanda não ter crescido em 2009, há uma certa folga  no sistema. Certamente algumas obras estão atrasadas, mas outras vem antecipadas, porém, de uma forma geral, o que está acontecendo é que além da energia normal, há investimentos em energia de reserva. Há espaço para o atraso de algumas obras e, mesmo assim, a preocupação seria lá para 2014, isso se  a demanda crescer e se ninguém tomar providência, o que é difícil de acontecer”, destacou Rosenblatt que participou nesta terça-feira (19/10) do comitê estratégico de Energia da Amcham-São Paulo.

De acordo com ele, os grandes projetos individuais em andamento nos próximos anos são o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira- usinas Jirau (3.300 MW) e UHE Santo Antônio (3.150 MW), em Rondônia, e a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. Porém, existe uma gama de obras pequenas e médias que agregarão muitos megawatts, como PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), usinas eólicas e de cogeração a partir do bagaço da cana de açúcar. “O Brasil é um país privilegiado em todos os tipos de recursos – hídrico, gás natural hidroelétrica, petróleo, carvão, cana de açúcar, vento e urânio. Temos a capacidade de construir a matriz mais limpa do planeta e bastante diversificada”, afirmou o especialista.

Impulso na cogeração

Para Rosenblatt, a cogeração de energia a partir do bagaço da cana de açúcar atingiu uma escala muito menor do que a planejada devido às dificuldades de conexão das usinas às linhas de transmissão, porém, recentemente, surgiu um mecanismo que favorecerá os investimentos. “Ficou determinado primeiramente que cada usina faria a sua conexão, um esquema que funcionava bem para as médias e grandes empresas. Em relação às pequenas, a maioria, não era possível juntar três ou quatro para que houvesse ganho de escala. Levou-se um tempo para que houvesse a definição para a instalação compartilhada”, explicou. 

A crise financeira internacional de 2009 também fez com que diversos projetos fossem postergados e outros até mesmo cancelados. Com o cenário atual mais positivo, deverá haver uma retomada.

Desafios

Alguns nós precisam ser desatados para que o setor energético receba mais investimentos, na visão de Rosenblatt. Segundo ele, a indefinição em torno das concessões que vencem em 2015 é prejudicial. “Ninguém sabe o que irá acontecer, se as concessões serão renovadas ou não. Isso traz incerteza.”
Há também muita insegurança em relação ao licenciamento ambiental dos projetos, porque por mais exigente que sejam, quando concedidos, não consistem em um aval definitivo porque, muitas vezes, costumam ser questionados. “A licença não é certeza de que o empreendedor vai poder tocar o projeto da forma permitida inicialmente. São abertos processos, solicitados embargos e paralisações nas obras. É uma situação de instabilidade que é precificada, despesas extras são contabilizadas. Essa é uma pendência que tem que ser resolvida no País.”

Questionado sobre o fato dos financiamentos de longo prazo no País estarem centrados no âmbito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o consultor da área energética destacou que o banco tem funcionado bem. Futuramente, se forem detectadas limitações do BNDES, será preciso, certamente, desenvolver outras alternativas.