DHL: burocracia é um dos entraves à participação do setor privado em projetos de PPP

por andre_inohara — publicado 26/08/2011 10h07, última modificação 26/08/2011 10h07
André Inohara
São Paulo – Atrasos nos processos de liberação e execução de obras geram desconfiança nos investidores privados, avalia CEO da companhia.
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A lentidão do governo para liberar o andamento das obras desestimula os investidores a participarem de Parcerias Público-Privadas (PPP). Esse é um dos motivos pelos quais o setor privado vê esses projetos com desconfiança, segundo Cindy Haring, diretora (Country Manager) da empresa de logística DHL no Brasil.

Leia a entrevista de Cindy para o site da Amcham, concedida após o seminário de "Competitividade Brasil – Custos de Transação" – realizado na terça-feira (23/08) em São Paulo pela Amcham.

Amcham: O que pode ser feito para incentivar ainda mais a participação da iniciativa privada nos projetos de PPP?
Cindy Haring:
É preciso que haja confiança entre todos, seriedade e vontade de otimizar os processos, ou seja, menos burocracia. Todos sabem o que deve ser feito e, quando as duas partes (governo e setor privado) se unem, nasce a confiança. O governo tem de demonstrar abertura para tornar os projetos atrativos para o setor privado. Projetos de parceria existem, o que falta é agilizar o andamento dos processos.

Amcham: O vice-governador Gulherme Afif Domingos disse que o Estado de SP pretende desenvolver outros modais de transporte para melhorar a competitividade. O que isso representa para os negócios da DHL?
Cindy Haring:
Fiquei encantada quando ele mencionou o modal ferroviário. Quando um produto chega do porto, não pode ser entregue rapidamente ao seu destino porque precisa ser transferido para caminhões. Eles enfrentam problemas de trânsito e, além disso, o sistema interligado de transportes não está sendo aproveitado. É bom saber que o Estado está aberto a buscar alternativas. Tanto o governo como os empresários falam em melhorias, mas a pergunta importante é como conseguir fazer e organizar essas mudanças. O Brasil precisa acelerar a competitividade de sua infraestrutura.

Amcham: Pela sua experiência internacional, como a sra. vê o ambiente de negócios no Brasil?
Cindy Haring:
Ainda estou aprendendo, mas, em muitos órgãos governamentais, vejo processos burocráticos que parecem não fazer sentido. Creio que os trâmites burocráticos existem não por vontade própria, mas por falta de coordenação entre as esferas administrativas.