Cabotagem no Brasil esbarra em falhas de infraestrutura dos portos, analisa CEO do Porto de Suape

por marcel_gugoni — publicado 14/03/2012 10h03, última modificação 14/03/2012 10h03
Recife – Distribuição das cargas após a chegada aos portos e baixos investimentos de longo prazo são dificultadores.
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O Brasil tem enorme potencial para transporte de cargas entre portos nacionais, processo conhecido como cabotagem, devido aos seus mais de 9.000 km de costa e condições favoráveis à navegação durante todo o ano. Mas o avanço dessa atividade de transporte, considerada uma das mais baratas da matriz logística, ainda esbarra na falta de infraestrutura dos principais portos do País. É o que acredita Frederico Amâncio, CEO do Complexo Industrial Portuário de Suape.

“Além da falhas de estrutura para receber cargas, os portos brasileiros ainda têm poucas alternativas logísticas de distribuição das cargas após a chegada do carregamento”, analisou Amâncio, que participou do Board Meeting da Amcham-Recife na última sexta-feira (08/03).

Amâncio acredita que a cabotagem é uma atividade com altíssimo potencial de desenvolvimento no País nos próximos anos. “A participação do transporte marítimo na movimentação de cargas dentro do Brasil ainda é muito baixa. Quanto mais possibilidades de transporte de cargas, melhor”, comentou.

Além da infraestrutura, o executivo aponta a necessidade de revisão do marco regulatório e a redução da carga tributária incidente sobre a atividade como outros pontos de atenção para maior exploração da cabotagem.

Cultura dos investimentos

Sobre o perfil dos investimentos que têm sido realizados no Porto de Suape, Amâncio defende que seja adotada uma visão mais estratégica para o aporte de recursos. “A grande dificuldade sempre foi realizar investimentos pensados em longo prazo. Agora temos um novo paradigma onde os aportes têm que ser pensados pelos próximos 20 anos, por exemplo”, comentou.

Ele destaca que o Complexo Industrial Portuário de Suape realizou parceria com o Porto de Roterdã, na Holanda, para analisar o tipo de projeto implantado no local. “Lá, existem projetos que passam 15 anos nos processos de maturação e desenvolvimento. Temos aprendido muito com esta experiência.”

Neste perfil, o CEO do Porto de Suape destaca projetos como o Plano Diretor que determina o zoneamento do porto para os próximos 30 anos. “Isso extrapola o tempo de duração de governos criando uma nova forma de investir em infraestrutura.”

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