Candidato de fora, ou ‘outsider’, teria boas chances de ser presidente, diz Marcos Troyjo

publicado 08/08/2017 16h24, última modificação 17/08/2017 10h53
São Paulo – Para diplomata, Doria e Meirelles teriam o perfil; ambos não declararam candidatura
Marcos Troyjo

Marcos Troyjo, da Columbia University: eleitores querem renovação da classe política

Para Marcos Troyjo, diplomata e co-diretor do BRICLabs da Columbia University (EUA), o candidato à sucessão presidencial de 2018 ideal é aquele que apresentar perfil político fora dos padrões tradicionais, ou seja, um “outsider”. “Se houver alguém que não seja populista, que tenha responsabilidade macroeconômica e fiscal e promova a competitividade do mercado, ele é um outsider. Este é o candidato que devemos apoiar”, disse, no comitê de CEOs & Chairpersons 2 da Amcham – São Paulo, na terça-feira (8/8).

A tarefa não vai ser fácil, admite o especialista. No entanto, um candidato com perfil progressista iria de encontro ao desejo dos eleitores de renovação da classe política. “O Brasil está procurando por novidades. Se essas três características forem acompanhadas pelo critério da novidade, acho que esse candidato terá mais chances de sair vitorioso em outubro de 2018”, acrescenta.

Troyjo citou dois nomes que teriam perfil de outsider. O prefeito de São Paulo, João Doria, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que “seguramente se encaixam”. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apesar de não ser um outsider, teria condições favoráveis, comenta.

“Ele é oriundo da política, mas não é populista e nem fiscalmente irresponsável. O estado de São Paulo tem uma das situações fiscais mais bem equilibradas.” Para Troyjo, a ressalva é que o governador paulista é um político bastante conhecido. “Alckmin não é novidade na cena política, e isso talvez jogue um pouco contra ele. Mas os ativos (políticos) que ele tem superam em muito o fato de ele não ser novo”, compara. Apesar das especulações recorrentes, nenhum deles declarou até o momento intenção de concorrer à Presidência do Brasil.

Caminho para reformas

De acordo com Troyjo, o arquivamento da denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer, no início de agosto, vai possibilitar ao governo se concentrar na pauta de mudanças. “Talvez o melhor para os próximos catorze meses é o governo se concentrar em temas de importância fundamental para o Brasil, como as reformas estruturais, e deixar o terreno mais terraplanado para quem assumir o Brasil a partir de janeiro de 2019.”

O especialista ressaltou que não é contra investigar o presidente por corrupção, mas a continuidade do governo traz estabilidade do ponto de vista macroeconômico. “Isso é algo positivo, a julgar pela boa equipe que Temer tem no Ministério da Fazenda e Banco Central.”

 

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