Cenário econômico é benigno em curto prazo, afirma economista da LCA

publicado 25/04/2017 10h29, última modificação 25/04/2017 10h39
São Paulo – Para Celso Toledo, inflação em queda e recuperação da confiança são sinais positivos
Celso Toledo

Celso Toledo, da LCA: crescimento mais consistente só virá com a volta da confiança na economia

Apesar do cenário de risco nos próximos meses, o cenário de curto prazo para o Brasil e economias emergentes está “benigno”. “É benigno no sentido de que aparentemente os riscos que podem atrapalhar estão sendo empurrados para frente”, segundo Celso Toledo, diretor de macroeconomia da LCA, no comitê estratégico de Diretores Comerciais da Amcham – São Paulo, na terça-feira (11/4).

De acordo com o economista, os sinais positivos indicam a continuidade do crescimento. “É boa a chance de o PIB ter crescido um pouco no primeiro trimestre, com a agropecuária puxando o viés favorável.” Um dos indicativos favoráveis é a queda acelerada da inflação. “A principal boa notícia, que dá confiança de que a situação vai melhorar é o comportamento extremamente benigno da inflação. Ela está despencando, e as projeções do Banco Central indicam inflação abaixo da meta.”

A desaceleração inflacionária vai se refletir na taxa de juros. “Significa que a Selic vai cair com força, mais do que os mercados esperam”, segundo Toledo. Para o especialista, esse é o cenário base da consultoria, que pode ser neutralizado em caso de reviravoltas inesperadas no cenário internacional ou, internamente, com a não aprovação da Reforma da Previdência.

Se nenhum imprevisto ocorrer, o economista menciona que a confiança dos empresários e consumidores na economia deve continuar aumentando gradativamente. “Se isso de fato acontecer, deveremos ver economia crescer em ritmo anualizado de 2% a 3% na virada do segundo para o terceiro trimestre. Isso garantiria crescimento de uns 2,5% em 2018.”

No cenário externo, Toledo cita que a demanda chinesa por commodities brasileiras vai continuar aquecida por pelo menos um ano e meio. “A China cresce pisando no acelerador e dando crédito de forma insustentável. Sabemos que essa conta vai ser paga uma hora, porque não dá para crescer desse jeito.”

Depois disso, a principal economia asiática deve passar por ajustes. Será necessário fazer um rebalanceamento do crescimento chinês, diminuindo o ritmo da atividade. Segundo Toledo, isso não deve ser feito antes de 2018, quando a China renovar seus quadros políticos. “O governo chinês falou que não quer saber dessa história antes do comitê em 2018. O mercado entendeu e atribuiu chance zero para isso acontecer antes disso”, afirma.

Mas Toledo destaca que, para um crescimento mais consistente, a confiança dos empresários em investir e das famílias em consumir precisa aumentar. “A confiança antecipa o ciclo de expansão do PIB. Quando ela reage, o PIB acompanha.”

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