Certificação de qualidade energética atesta comprometimento com sustentabilidade, afirma consultor

publicado 22/11/2013 15h50, última modificação 22/11/2013 15h50
São Paulo – Alberto Fossa, da ISO 50.001, argumenta que gestão eficiente reduz emissões de CO2
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Empresas que possuem a certificação de eficiência energética ISO 50.001 demonstram não apenas ser eficientes na gestão de recursos, mas também real comprometimento com a causa sócio-ambiental. “A ISO 50.001 é interessante para demonstrar sustentabilidade, porque a empresa tem que apresentar números (resultados) que tem que ser melhores a cada período”, afirma Alberto Fossa, coordenador da ISO 50.001 no Brasil e consultor do ICA (International Copper Association) – Procobre.

O consultor participou do comitê estratégico de Energia da Amcham – São Paulo, na terça-feira (12/11), e ressaltou que a gestão eficiente de energia é parte importante do desafio mundial de crescimento sustentável. “À medida que os países se desenvolvem, mais precisarão de energia. Na Europa, a preocupação com eficiência energética é muito grande”, comenta Fossa.

O consumo eficiente de recursos energéticos também é vital para a redução dos gases de efeito estufa, acrescenta o consultor. Citando dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) de 2010, Fossa afirma que a maioria das iniciativas para redução das emissões de CO2 (gás carbônico) até 2050 passa por eficiência energética.

“Mais de 68% das iniciativas possíveis de ser adotadas estão vinculadas à gestão eficiente. Há outras fontes menos poluentes, como energia nuclear e fontes renováveis, mas a parcela é bem menor”, de acordo com Fossa.

Incentivos públicos à eficiência energética

O consultor também defendeu a criação de programas públicos e privados de eficiência energética. “Não há incentivos governamentais para a aplicação de eficiência energética, e nem estou falando de subsídios. É possível criar parcerias entre empresas e governo, para qualificação profissional em gestão energética a custo baixo”, exemplifica.

É preciso, por exemplo, que a política energética brasileira inclua todas as matrizes geradoras. “No Brasil, há um pensamento corrente de que energia é só elétrica. Mas a discussão de eficiência energética tem que incluir também o consumo de combustíveis [para geradores e usinas termelétricas]”, destaca Fossa.

Fossa elogia as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que tornaram os eletrodomésticos e eletroeletrônicos brasileiros muito econômicos no consumo de energia, mas elas não são suficientes para fazer com que as indústrias invistam pesadamente em sistemas de consumo racional de energia.

“A eficiência é a razão da gestão energética. Isso significa usar da melhor forma, o que não é necessariamente economizando. Ela também está ligada ao aspecto tecnológico, possibilitando criar aparelhos que consomem menos oferecendo maior desempenho.” Outro ponto mencionado por Fossa é a mudança cultural. “Mudar comportamentos também gera economia. É apagar a luz da sala quando ela estiver desocupada”, comenta ele.

Case Weg

Primeira empresa brasileira a obter a certificação ISO 50.001 em 2011, a eficiência energética sempre foi uma questão estratégica para a Weg Motores. “Os motores elétricos correspondem a 40% do consumo global de energia. Participamos da certificação por questões de sustentabilidade, reduzindo a emissão de gases poluentes, e gerenciamento de custos”, explica João Alfredo Silveira, gerente de melhoria contínua e de meio ambiente da Weg.

Para obter a certificação, a Weg criou uma política formal de eficiência energética, contendo diretrizes específicas de como produzir mais sem que fosse necessário consumir energia na mesma proporção.

Uma fábrica de motores de baixa e média tensão em Jaraguá do Sul (SC) foi escolhida para servir de projeto piloto, devido ao elevado consumo de energia. Depois de identificados os processos de maior consumo, foram criados indicadores de desempenho para facilitar o trabalho de redução de consumo energético.

Na fábrica, o indicador escolhido foi o de KWh (quilowatt hora) por cavalo (unidade de potência) produzido, e a meta era reduzir o consumo em 10% em um ano. No laboratório, o indicador foi o de KWh por ensaio realizado, com a expectativa de redução de 11%.

Uma série de melhorias, como a substituição de processos ineficazes e mudanças de comportamento, permitiu que a Weg superasse as metas. Vencido o prazo, foi verificada uma redução no consumo da fábrica em 13%, e de 18% no laboratório.

A iniciativa foi aprovada, e a Weg pretende replicar as iniciativas em todas as fábricas. “Aquelas metas foram atingidas, e agora estamos atrás de outras mais desafiadoras”, comenta Silveira.