China e Estados Unidos estão cada vez mais pressionados a aderirem a acordos sobre clima

por giovanna publicado 20/01/2011 18h42, última modificação 20/01/2011 18h42
André Inohara
São Paulo – Transformações consistentes, contudo, ainda não devem ser vistas na próxima COP, reunião da ONU sobre o tema , avalia o professor José Goldemberg.
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A China e os Estados Unidos, dois dos maiores emissores de gás carbônico do globo, sofrem cada vez mais pressões internas para aderir às negociações sobre o clima. Para José Goldemberg , físico e professor da Universidade de São Paulo (USP), a China está cada vez mais propensa a reduzir suas emissões por questões de competitividade, enquanto os Estados Unidos o farão por clamor político.


Segundo Goldemberg, ainda que haja indícios de mudanças, a próxima reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima em 2011, a COP 17, na África do Sul, ainda não deve trazer grandes movimentos nesse sentido.


O professor concedeu entrevista ao site da Amcham nesta quinta-feira (20/11), quando participou do comitê Estratégico de Energia na Amcham-São Paulo. Acompanhe os principais trechos:

 

Amcham: A China e os EUA estão mais receptivos a tratados climáticos?
José Goldemberg:
Está havendo um esforço um pouco maior. Enquanto não se chega a um grande acordo, os países desenvolvidos estão fechando acordos de alcance limitado, sobre desmatamento de florestas e fundos de recursos destinados a nações mais pobres. Acredito que a próxima reunião sobre o clima, a COP17, na África do Sul, não deve trazer grandes mudanças. Elas talvez fiquem para o Rio de Janeiro em 2012, quando serão comemorados os 20 anos de assinatura do Tratado da Convenção do Clima (1992).

 

Amcham: Qual a principal barreira para o consenso nas negociações?
José Goldemberg:
A principal preocupação de países como os EUA é que a adoção de leis para redução das emissões prejudique a competitividade da indústria. Em alguns casos, os produtos ficarão realmente mais caros.

 

Amcham: Os EUA ainda não emergiram completamente da crise. Nessas circunstâncias, pode-se pensar que eles estariam menos propensos a aprovar leis que afetariam a competitividade?
José Goldemberg:
Correto. Porém, o Poder Executivo americano está muito sensível a essa questão, pois a regulação ambiental deles está fazendo exigências crescentes para que setores industriais reduzam suas emissões. As medidas requeridas pela convenção do clima conflitam com as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) em razão da competitividade dos produtos. É por isso que um acordo entre a China e os Estados Unidos é tão importante. Eles são os grandes emissores e, se eles chegarem a um acordo, será fácil reunir os outros países em torno de um consenso.

 

Amcham: A China estaria mais pronta a contribuir para a redução de emissões?
José Goldemberg:
Na China, o sistema de produção é muito obsoleto. Praticamente toda a energia elétrica é gerada com carvão, um dos principais poluentes, e as usinas de carvão que foram instaladas há trinta, quarenta anos, já eram obsoletas. O país está fazendo um grande esforço de modernização, não por causa do clima, mas porque quer melhorar sua eficiência, e isso tem efeitos positivos. Ou seja, o interesse da China no acordo não é para agradar o restante da humanidade, mas para efetivamente melhorar a própria competitividade de seu sistema produtivo. Empresas modernas poluem menos.