Choque de gestão na Eletrobrás seria mais eficaz que privatização de ativos, diz especialista

publicado 03/01/2018 15h11, última modificação 03/01/2018 17h08
São Paulo – Para Ricardo Lima (Tempo Presente), influência política na estatal afeta decisões de investimento
Ricardo Lima, da Tempo Presente

Ricardo Lima, da Tempo Presente: profissionalização da Eletrobrás passa por centralização de informações na holding e executivos profissionais

A ingerência política é o principal obstáculo à melhoria da rentabilidade da Eletrobrás, de acordo com Ricardo Lima, sócio-diretor da Tempo Presente Consultoria e Energia. “A Eletrobrás tem que melhorar sua gestão. Precisa se tornar uma empresa moderna e reduzir a influência política”, disse o executivo, no comitê de Energia da Amcham – São Paulo em 27/11.

Para o especialista, um choque de gestão seria mais eficaz do que um processo de privatização que consiste basicamente na venda de ativos. “A privatização teria que ser no sentido de reduzir o poder político e se tornar uma empresa mais profissional.”

A situação crítica que a estatal de energia se encontra foi fruto de decisões políticas que não levaram em conta o retorno financeiro, acrescenta Lima. “Nos últimos doze anos, a Eletrobrás assumiu ativos com baixa rentabilidade. A subsidiária Chesf, por exemplo, atrasou boa parte de suas obras por incapacidade de gestão. Em Furnas isso também aconteceu, ao tomar decisões de investimento com pouco retorno.”

Não por acaso, as duas subsidiárias são as mais resistentes a mudanças. “A holding não consegue centralizar informações dessas companhias em função do controle dessas empresas por grupos políticos resistentes”, na opinião de Lima.

Entre as medidas administrativas para melhorar o desempenho financeiro da Eletrobrás tem que passar pelo comprometimento com resultados. Lima cita que algumas ações devem incluir a centralização de informações financeiras na holding. “A presidência executiva tem dificuldades até para aprovar a adoção de softwares gerenciais”, de acordo com Lima.

Outras medidas incluem aumentar o nível de governança corporativa na bolsa de valores, profissionalizar o conselho de administração e cumprir o decreto de só indicar quadros de capacidade técnica para os postos de comando. “Temos poucas medidas efetivas, como a profissionalização do conselho e a criação de um centro de serviços compartilhados”, segundo o especialista.

Lima considera que as perspectivas de privatização de alguns ativos da Eletrobrás nos próximos meses são baixas. “O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, está liderando o processo. Mas creio que não terá tempo para levar adiante em função do processo de sucessão presidencial de outubro.”

 

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