Com matriz eólica, Nordeste passará de importador a exportador de energia nos próximos anos

por andre_inohara — publicado 05/07/2011 15h39, última modificação 05/07/2011 15h39
André Inohara
São Paulo – Instalação de parque eólico na região gerará excedente de energia que poderá ser revendido para Amazonas e Estados do Sudeste.
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O desenvolvimento de um parque de geração de energia eólica no Nordeste, previsto para os próximos anos, transformará a região de importadora de energia para exportadora para outras partes do País. Até 2020, o governo pretende aumentar a participação da matriz energética em fontes eólicas, abundantes no Nordeste e no Sul brasileiros.

“A perspectiva de aumento da potência instalada traz oportunidades absurdas de investimento, porque ainda há tudo por fazer”, afirma Leontina Pinto, diretora executiva da consultoria em energia Engenho.

Tanto no Sul como no Nordeste, o País produz ventos de intensidade média e relativamente estáveis, permitindo que os aerogeradores que serão instalados para captar a energia funcionem por mais tempo.

Quando o parque eólico entrar em operação em grande escala no Nordeste, a região se tornará um polo exportador de energia, destacou Leontina, que participou do comitê estratégico de Energia da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (05/07). “O Nordeste pode passar de importador a exportador de energia, tanto para a Amazônia como para o Sudeste a partir de 2020.”

EPE contratará mais energia eólica

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que está finalizando o seu plano decenal de energia até 2020, já revela a intenção de aumentar a participação das fontes renováveis de energia (hidráulica, eólica, etanol, biomassa, entre outras) no total de 44,8% em 2010 para 46,3% em 2020.

Para a matriz eólica, que atingiu 1 gigawatt (GW) de capacidade instalada em maio, isso representará uma expansão para 10 GW no final desse período, calcula Leontina.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a matriz eólica atual representa 0,87% do total da capacidade instalada de energia no País, de 115 GW.

“Como o Nordeste não precisará mais de tanta energia do Sudeste, a matriz eólica será de grande ajuda na redução dos preços da energia”, comentou.

Vantagens da energia eólica

A qualidade do vento brasileiro é muito boa para a exploração comercial, disse Leontina. “Os ventos alísios do nordeste são constantes o suficiente para uma boa produção energética. E os do Rio Grande do Sul também”, assinala.

Outras vantagens da matriz eólica são a complementaridade com a matriz hidrelétrica, a rapidez de funcionamento e os baixos custos.

Quando houver períodos de escassez de correntes de vento, as usinas hidrelétricas suprirão a carência aumentando a produção, e vice-versa.

Além disso, uma turbina eólica leva um ano para ser instalada, enquanto que uma usina hidrelétrica leva de três a quatro anos para entrar em funcionamento, lembra Leontina. E o ganho de escala cada vez maior, possibilitado pelos leilões de energia, está barateando o custo de produção.

A especialista acredita que os preços da energia contratada no próximo leilão de fonte eólica, previsto para julho, devam ficar na faixa de R$ 115,00 por megawatt hora (MWh), abaixo dos contratados em outras fontes, como as térmicas a óleo diesel e carvão.

Mercado eólico brasileiro é uma das prioridades da GE

Com perspectivas favoráveis para as eólicas, trazidas pela intenção da EPE de contratar 10 GW de energia eólica até 2020, a General Electric (GE) elegeu o Brasil como um dos mercados prioritários nesse setor.

“Com exceção da China, o Brasil será o nosso segundo maior mercado”, disse Marcelo Prado, diretor de desenvolvimento de mercado para a América Latina da unidade GE Energy.

A demanda por equipamentos é determinada nos leilões de energia, comenta Prado. “Se estimarmos leilões em torno de 1,5 GW, então estamos falando de investimentos em torno de US$ 5 bilhões.”