Com pleno emprego, construção civil precisa investir em produtividade, aponta presidente do SindusCon-SP

por andre_inohara — publicado 11/10/2012 12h09, última modificação 11/10/2012 12h09
São Paulo – Medidas anunciadas recentemente pelo governo são necessárias e bem-vindas, mas é preciso garantir que sejam corretamente implantadas.
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A construção civil brasileira praticamente atingiu o nível máximo de contratação, graças ao aquecimento do mercado imobiliário e às obras de modernização para os grandes eventos esportivos que o Brasil sediará nos próximos anos.

Para dar conta de tudo, o setor precisa trabalhar com produtividade elevada, disse Sérgio Watanabe, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).

“Vivemos o cenário de pleno emprego; portanto, o crescimento terá que ser mudado. É preciso investir em produtividade e aumento de eficiência porque o modelo de trazer [contratar] mão de obra está esgotado”, afirmou, durante o seminário Business Round Up – Perspectivas para 2013, promovido pela Amcham-São Paulo na terça-feira (09/10).

Veja aqui: Brasil terá 2013 de recuperação, com crescimento na casa dos 4%

Watanabe argumenta que, com desoneração fiscal, os empresários poderiam separar mais recursos para investir em capacitação de funcionários e novas tecnologias. “Há pouco dinheiro no bolso do trabalhador e muito encargo social”, lamenta.

Leia abaixo a entrevista de Watanabe ao site da Amcham:

Amcham: Que impactos as medidas de incentivo do governo terão na economia, a partir de 2013?

Sérgio Watanabe: O brasileiro é um otimista nato. Tivemos crescimento excepcional em 2010, fora da curva, e não veremos acontecer de novo tão cedo. No ano passado, a presidente [Dilma Rousseff] puxou o freio, afrouxando a política econômica [o que diminuiu o ritmo de expansão]. Só que também não se previa o recrudescimento da crise europeia. Somado a isso, o Brasil cresceu pouco – zero no terceiro trimestre deste ano. Como o governo tomou posições e medidas para reverter o cenário de não crescimento, o ano de 2013 vai depender do resultado dessas medidas.

Veja aqui: Business Round Up: Construção civil desacelera, mas segue se expandindo acima do PIB em 2012 e 2013

Amcham: A que medidas o sr. se refere?

Sérgio Watanabe: O Brasil precisa dos investimentos em infraestrutura e todos os programas [de incentivos]. Acho que o governo está correto [em incentivar a economia], mas, na hora de implantar, tem dificuldade. Vide o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], que tem um problema muito sério de gestão.

Amcham: Em sua apresentação no seminário, o sr. disse que há oportunidades para a construção civil tanto no setor comercial como em mobilidade urbana. Nesse último quesito, o que pode ser feito?

Sérgio Watanabe: O cenário é positivo porque temos que lembrar que os investimentos para a Copa estão em andamento, e estão faltando projetos no setor comercial e mobilidade urbana das capitais que receberão a Copa. Além disso, o programa de logística de transportes [rodovia e ferrovia] anunciado em agosto é um alento não só para a economia como para a construção. Este é o quadro da construção civil. Conforme a pesquisa da Amcham [apresentada na Business Round Up], vivemos um cenário de pleno emprego; portanto, o crescimento terá que ser mudado. É preciso investir em produtividade e aumento de eficiência porque o modelo de trazer [contratar] mão de obra está esgotado.

Amcham: Como esse modelo se esgotou?

Sérgio Watanabe: Hoje o nível de emprego na construção é da ordem de 3,4 milhões de funcionários. É um contingente que dobrou em menos de dez anos, por isso está cada vez mais difícil contratar mão de obra em nosso setor. O desemprego na construção civil é de 2%, o mais baixo do País. Ao mesmo tempo, mais obras estão sendo construídas. Só vamos conseguir atender à demanda aumentando a produtividade dos que já trabalham no setor. O que temos que fazer é mais metros quadrado ao dia com mecanização, se necessário. Trabalhos que eram feitos por dez pessoas podem ser feitos com uma máquina e dois funcionários. Temos que aumentar nossa produtividade porque absorver mais mão de obra não dá. O setor anuncia vagas e não aparece ninguém.

Amcham: Como o setor lida com a questão trabalhista?

Sérgio Watanabe: Isso é importante, pois hoje convivemos com o mundo sindicalista. Mas essa é uma questão generalizada. Nossa legislação trabalhista não é favorável em termos de incentivo à competitividade. Os encargos são muito altos. O de um horista é da ordem de 130%, e ainda há outras obrigações decorrentes de negociações trabalhistas. É pouco dinheiro no bolso do trabalhador e muito encargo social. É preciso desonerar os encargos, porque aí haveria mais recursos para investir em capacitação. Novos equipamentos exigem treinamento.

Veja aqui: Pesquisa Amcham: 81% dos executivos esperam aumento de vendas em 2013