Como as PMEs podem minimizar o impacto da crise nos seus negócios?

publicado 03/04/2020 14h14, última modificação 03/04/2020 14h14
Brasil – Para o Ronaldo Fragoso, não tem hoje uma empresa que não está sofrendo de alguma forma, mesmo aquelas que enxergam oportunidades
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De taxas de juros menores à linha emergencial de empréstimos para pequenas e médias empresas – as alternativas oferecidas pelo Governo para driblar a crise são inúmeras e devem ser aproveitadas

De acordo com um levantamento da Fundação Getúlio Vargas, mais de 30% das empresas de todos os setores já sentiram os impactos do novo coronavírus em seus negócios. Nesse cenário, pequenas e médias empresas estão entre as categorias que mais devem sofrer durante o período – muitos não têm uma reserva de capital suficiente para manter obrigação financeiras e garantir a sobrevivência do negócio.

Diante das incertezas do mercado, especialistas recomendam que empresários criem um Orçamento de Base Zero (OBZ), detalhando individualmente cada centro de custo a fim de cortar despesas. “Com um Orçamento de Base Zero, você pode olhar para dentro da empresa e ver o que realmente precisa ficar e o que não. Uma crise pode gerar uma grande oportunidade para as empresas também. Esses momentos são bons para pensar o que você pode fazer de diferente”, afirma Sergio Bertucci, Fundador e CIO da BERTUCCI Smart, no Webinar ‘Como as PMEs podem minimizar o impacto do coronavírus nos seus negócios’, realizado no dia 02/04. O evento também contou com a presença de Ronaldo Fragoso, da Deloitte, e Marcelo Nakagawa, da FAPESP.

Para o Líder de Riscos Regulatórios da Deloitte, também é importante enxergar a crise por etapas. “Ninguém tem a resposta sobre quando isso vai acabar – estamos trabalhando em uma crise crônica. A empresa é um paciente na UTI. O quanto antes a tirarmos de lá, menos sequelas ela vai ter. Ninguém tem essa visibilidade agora, precisamos trabalhar pensando no momento. Se passarmos por isso, mais pra frente será mais fácil”, diz.

 

ATUAÇÃO DO GOVERNO

Segundo Fragoso, não existe uma companhia que não está sofrendo os impactos do coronavírus de alguma forma, mesmo aquelas que estão conseguindo enxergar alguma oportunidade nessa crise. Apesar das dificuldades, o executivo garante que os riscos para as empresas são relativamente baixos – graças as ações criadas para diminuir o impacto da pandemia na economia.

De aplicação de taxas de juros menores à linha emergencial de empréstimos para pequenas e médias empresas – as alternativas oferecidas pelo Governo para driblar a crise são inúmeras e devem ser aproveitadas pelos empresários. “Está tendo uma injeção que nunca houve antes. O governo tem uma preocupação enorme que as empresas comecem a quebrar porque isso geraria um desemprego em massa. Seria um problema social enorme”, avalia o Líder de Riscos Regulatórios da Deloitte.

Entenda quais são as principais medidas do governo que podem auxiliar a sua empresa neste link.



RESPONDENDO À CRISE, RECUPERANDO E SUSTENTANDO NEGÓCIOS EM 100 DIAS

Em momentos como esse, é necessário agir com cautela e estruturar planos para saber quais frentes priorizar e como agir. Em primeiro lugar, é preciso criar um Comitê de Gestão de Crise e definir o que não é negociável dentro da companhia e deve ser preservado. Além disso, é aconselhável monitorar as principais mudanças do mercado e desenvolver uma estratégia de comunicação que abranja todos os stakeholders.

No meio do furacão, não podemos deixar de lado a gestão de pessoas. É preciso manter uma comunicação sempre clara e frequente com seus funcionários e auxiliar os mais atingidos pela doença.

Quando uma empresa é obrigada a suspender suas operações, uma forma de entrada e equilíbrio de caixa também fica suspensa. Montar uma equipe para controlar custos e despesas operacionais, evitar rupturas na cadeia de suprimentos e negociar com outros agentes do ecossistema, é fundamental para mitigar impactos dentro do negócio. É importante também considerar os benefícios temporários oferecidos pelo Governo, como suspensão, adiamento ou redução de contribuições tributárias, e estudar as implicações legais da crise.

“Já que colocamos todo mundo em home office, nossa estratégia também tem que ser digital”, afirma Ronaldo Fragoso. Durante a gestão de crise, é necessário que as empresas preparem sua infraestrutura para novos padrões de tráfego e utilização e avaliem seus padrões de segurança. De acordo com ele, o suporte técnico e os canais digitais devem ser um grande aliado na continuidade dos negócios.

Depois de responder à crise, vem a fase de recuperação. Por isso, ao restabelecer as atividades, é essencial priorizar os clientes-chave e engajá-los para apoiar a continuidade do negócio. “Depois vem a fase de sustentação, que é quando as empresas começam a retornar ao normal, que agora será um novo normal”, finaliza.

 

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O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais, inicialmente programados até o dia 31 de março, em atividades digitais e webinários.

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM?

Os webinários especiais sobre a Covid-19 são públicos, totalmente gratuitos e podem ser acessados pelo link amchambrasil.com.br/aovivo.