Complexidade tributária brasileira eleva salários dos gestores de finanças

por giovanna publicado 14/03/2011 18h39, última modificação 14/03/2011 18h39
São Paulo – Remunerações nas subsidiárias no País chegam a ultrapassar valores praticados pelas matrizes no exterior, revela gerente da Michael Page.
complexidade_materia.jpg

A complexidade tributária no Brasil é um dos principais fatores que elevam os salários dos gestores de finanças, os Chief Financial Officers (CFOs). Isso porque eles precisam ter capacitação específica para gerenciar processos, adequando as operações das empresas à legislação (compliance). A avaliação é de João Marco, executive manager da Finnance & Tax Division da Michael Page, companhia especializada em recrutamento de executivos para média e alta gerência.

“O que temos visto com certa frequência é que os profissionais brasileiros, por conta da complexidade tributária no País, ganham mais do que os chefes deles nas matrizes. Hoje, levando-se em consideração ainda o real forte (moeda valorizada), quando se faz a conversão, em muitos casos, os CFOs no País chegam a ganhar mais do que seus dirigentes nos Estados Unidos, por exemplo”, disse Marco, que participou nesta terça-feira (15/03) do comitê de Finanças da Amcham-São Paulo.

De acordo com ele, há ainda no País um movimento intenso de disputa por CFOs entre as empresas. “O Brasil é a bola da vez, há muitas companhias estrangeiras chegando e investindo. O mercado está aquecido, ainda não há escassez de profissionais, embora esteja próxima de acontecer. Hoje, os salários estão inflacionados”, acrescentou.

Em alta

Levantamentos da Michael Page indicam que as empresas com faturamentos anuais entre R$ 100 milhões e R$ 500 milhões pagam entre R$ 22 mil e R$ 38 mil de remunerações fixas mensais aos CFOs. As companhias com faturamentos entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão concedem salários de R$ 30 mil a R$ 45 mil, e as que possuem receitas superiores a R$ 1 bilhão pagam de R$ 40 mil a R$ 60 mil.

As remunerações variáveis, importantes mecanismos de retenção de profissionais, segundo João Marco, flutuam conforme o porte e segmento das organizações. “Empresas nacionais de construção civil da área de óleo e gás costumam ser mais agressivas na remuneração variável atrelada à rentabilidade. Já as multinacioais são mais agressivas em relação às opções de compra de ações, as stock options”, explicou.

Perfil

Nos processos seletivos dos CFOs, a formação acadêmica exigida pelas empresas continua centrada em quatro áreas: economia, ciências contábeis, administração de empresas e engenharia.  Entretanto, de 2005 para cá, a grande mudança, na visão do gerente Michael Page, concentra-se nas habilidades requeridas.

“Antes, o CFO prestava suporte ao negócio, tinha uma função mais operacional. Recentemente, ele passou a ter uma proximidade muito maior com o negócio, atuando nos processos decisórios. Não é à toa que vemos um movimento maior de CFOs se tornando CEOs (Chief Executive Officers, diretores executivos).”

 

Nesse cenário, além de conhecimentos técnicos, os gestores financeiros devem ter visão de negócios, capacidade de liderar pessoas e habilidade de comunicação para interagir com todos os departamentos e também com bancos, consultorias e escritórios jurídicos. “Até os diretores comeriais atuam com o suporte dos gestores financeiros porque não basta vender, é necessário ter margem, rentabilidade”, concluiu.