Conflitos no Oriente Médio podem levar a altas ainda maiores no preço do petróleo

por giovanna publicado 28/03/2011 16h44, última modificação 28/03/2011 16h44
Porto Alegre – Até agora, aumentos não refletiram estrangulamento da oferta, e sim expectativas negativas que, se concretizadas, podem levar a escalada de valores.
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O cenário atual envolvendo conflitos no Oriente Médio e no Norte da África, responsáveis por 35% da produção mundial de petróleo, pode impactar de maneira muito forte a economia internacional. Até agora, os aumentos de preço do combustível não refletiram estrangulamento da oferta, mas sim expectativas negativas de que os movimentos vistos nesses países se espalhem pela região. Caso essas expectativas de fato se efetivem, devemos ter altas ainda maiores nos preços do que as verificadas nos últimos dias, avalia Patrícia Palermo, economista da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e professora da ESPM de Porto Alegre.

“A situação ainda não se mostra tão grave porque a oferta de petróleo na Líbia ainda pode ser suprida pela capacidade da Arábia Saudita, um dos maiores produtores mundiais. Mas, se a tensão que vem ocorrendo nesse País se materializar, o aumento do preço do combustível será certo e a inflação aumentará também. Quanto menor a oferta, maior fica o preço do petróleo. Com o valor do combustível alto, os custos de produção são aumentados e isso acaba funcionando como um desacelerador da economia mundial”, explicou Patrícia durante o comitê de Comércio Exterior e Logística da Amcham-Porto Alegre, na última sexta-feira (18/03).

Outro elemento que se soma a esse cenário é a dúvida sobre a  política adotada pelos novos governos que estão assumindo localmente. Se eles se posicionarem politicamente contrários ao Ocidente, poderemos assistir a uma redução imediata ou paulatina dos investimentos estrangeiros naqueles territórios, o que poderá causar diminuição permanente da oferta de petróleo, com profundas consequências sobre os preços.

De qualquer forma, o que se espera ainda para o curto prazo é elevação da inflação, deflagrada pelo aumento do preço do petróleo e desaquecimento da economia mundial, sobretudo nos países emergentes, mais intensivos em petróleo.

Patrícia pontua que as catástrofes naturais que abalaram o Japão têm segurado a demanda, já que o país reduziu sua produção e portanto seu uso de petróleo. Contudo, com a rápida superação do quadro atual, algo que se pode esperar do povo japonês em função de exemplos semelhantes na história, a demanda deve voltar a aumentar e, dependendo da situação no Oriente Médio e no Norte da África, pode-se ter um elemento adicional contribuindo para um avanço ainda mais rápido do preço do combustível.

Para o Brasil, o maior desafio nesse cenário será o Banco Central dar conta de frear a inflação, que virá mais cedo ou mais tarde. “O aumento da inflação exige uma ação do Banco Central que, se efetivada, tende a provocar diminuição do crescimento da economia brasileira em 2011”, afirma Patrícia.