Coronavírus: resposta rápida do governo e colaboração da população fizeram a China se reerguer

publicado 06/04/2020 09h30, última modificação 17/04/2020 09h34
Brasil – Utilização de tecnologia, monitoramento e, principalmente, testes a todo momento foram as ações mais importantes para iniciar o processo de normalização no país
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“O uso da tecnologia é fundamental e um dos motivos da China ter se destacado nos últimos anos”, pontua In Hsieh, co-fundador da Chinnovation.

Primeiro país a vivenciar o surto de Coronavírus, a China subestimou a gravidade da pandemia. Entretanto, após perceber a dimensão do problema, tomou medidas bastante sérias e rápidas. “A gente tem que enxergar que a China foi o primeiro país que sofreu com isso, não teve uma experiência anterior para buscar um histórico do que estava acontecendo e o governo e a população estão sabendo lidar com isso de forma exemplar”, aponta Thomaz Machado, CEO da ChinaInvest.

O executivo esteva no país oriental quando o surto teve início e vivenciou boa parte da crise. “Participei de todos os momentos e sei que a grande diferença da China e do Brasil é que na China toda a população se unia em busca de um bem comum, todos torciam para que desse certo, faziam o possível para que desse certo, buscavam ajudar o próximo, sofriam com o olhar do resto do mundo (o preconceito). Isso doía para eles como nação, mas percebíamos que eles estavam se esforçando ao máximo e em conjunto para que isso passasse”, relata ele.

Thomaz participou do nosso webinar ‘Uma visão da China: os impactos econômicos, as soluções e aprendizados’, no dia 03/04. O bate-papo teve também a contribuição de In Hsieh, co-fundador da Chinnovation. Ambos acreditam que é preciso trabalhar com agilidade e cooperação, assim como fez a China, para conter o avanço do Coronavírus no mundo. “Precisamos ter uma visão mais de futuro e do bem com uma corrente do bem”, afirma In.

Para isso, a tecnologia tem se mostrado muito útil e eficaz. Principalmente na China: as principais empresas de tecnologia ajudaram o governo a criar um aplicativo com um QR Code para cada cidadão que possibilita rastrear por onde as pessoas passaram, se estão com sintomas de Coronavírus ou se foram diagnosticadas. “Isso foi possível porque para entrar em qualquer local era necessário medir a temperatura com um termômetro eletrônico e o dado obtido – independente do resultado – ficava registrado no QR Code da pessoa”, explica Thomaz.

Além disso, como a maioria dos pagamentos no país são realizados por celular, o governo começou a receber informações de quando um cidadão comprava medicamentos para a febre, facilitando o registro de pessoas doentes e, assim, realizar o teste para a Covid-19. Thomaz lembra também que os testes lá, diferente do Brasil, eram realizados em massa e com o resultado sendo entregue em dez minutos – também com ajuda da tecnologia.

“O uso da tecnologia é fundamental e um dos motivos da China ter se destacado nos últimos anos”, pontua In. Isso porque, segundo ele, o país procura resolver problemas tangíveis e de forma prática inovando a partir de tecnologias já existentes, como, por exemplo o QR Code, que existe já há 20 anos. A utilização dos dados é um exemplo prático dessa questão também: as informações são cruzadas para a tomada de ação de forma mais assertiva.

 

PRIVACIDADE E SEGURANÇA DE DADOS

Com a intensificação de controle do governo chinês (os testes de coronavírus de 10 minutos, os termômetros que estão em todos os lugares, as máscaras obrigatórias e o álcool gel) e a manipulação de dados da população, surge a questão da privacidade de dados. No Brasil, por exemplo, a Lei Geral de Proteção de Dados passará a entrar em vigor daqui poucos meses e na Europa essa lei já existe (GDPR). In menciona que a definição de privacidade no país oriental é diferente da que existe no ocidente.

“Estamos vendo que isso é pelo bem das pessoas e hoje mais do que nunca eles sabem que não necessariamente terão privacidade. O Mindset de coletividade ajuda a compreender a necessidade de ações como essas”, menciona o co-fundador da Chinnovation. Segundo eles, os chineses não entendem como algo ruim o compartilhamento de informações com o governo caso não estejam fazendo nada de errado.

Ao contrário do que acontece no Brasil, por exemplo, os chineses enxergam o governo como um aliado e não como um inimigo, segundo Thomaz. Ele alerta que o que parece óbvio para nós, pode não ser para outra cultura – e é apenas isso que devemos entender e aceitar. “Na China, você vai tem câmeras com reconhecimento facial e o governo tem acesso a isso. Eu pergunto se eles se preocupam  e eles me respondem que é bom que seja justamente o governo que tem acesso a isso”, finaliza.

 

Assista abaixo alguns destaques do papo:

 

 

O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais, inicialmente programados até o dia 31 de março, em atividades digitais e webinários.

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM?

Os webinários especiais sobre a Covid-19 são públicos, totalmente gratuitos e podem ser acessados pelo link amcham.com.br/aovivo.