PIB da construção civil cresce 11% em 2010, acima do que o Brasil poderá sustentar em 2011

por daniela publicado 15/12/2010 16h06, última modificação 15/12/2010 16h06
Porto Alegre - Para próximo ano, taxa de ampliação viável é de 6% e País terá desafios para superá-la, destaca VP da consultoria Noblesse Brasil Brokers.
comite_d_construbusiness.jpg

A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil no Brasil encerrará 2010 em 11%, a maior desde 1986, porém acima do que o País pode sustentar no próximo ano, ressalta Cristiano Cruz, vice-presidente da consultoria imobiliária Noblesse Brasil Brokers.

“Para 2011, o ideal é que o PIB brasileiro da construção atinja 6% de crescimento”, disse o especialista, que participou do comitê de Construbusiness da Amcham-Porto Alegre nesta quarta-feira (15/12).

Para que segmento supere o patamar de incremento de 6% ao ano, conforme Cruz, há uma série de desafios pela frente, como a ampliação da infraestrutura logística; a capacitação de mão de obra; a promoção da inovação para maior produtividade; e a criação de novas fontes de financiamento de longo prazo.

O consultor enfatizou ainda a importância de o governo federal dar continuidade aos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), tanto os de infraestrutura quanto os habitacionais. Em 2010, o "Minha Casa Minha Vida" tinha como objetivo a construção de milhão de moradias, sendo que o equivalente a mais de 800 mil já foi contratado. A partir de 2011, em sua segunda edição, a meta é de dois milhões de unidades a serem levantadas entre até 2014.

“Nosso momento é bom, mesmo chegando ao máximo de expansão agora em 2010. Não vejo uma bolha como a dos Estados Unidos. Avalio uns sete anos ainda de tranquilidade para o segmento, até porque os bancos do País estão com muito dinheiro para o crédito imobiliário. Acredito que não teremos problemas com crédito nos próximos dez anos”, considerou Cruz.

Financiamentos

De acordo com os dados apresentados por Cristiano Cruz, a Caixa Econômica Federal prevê um incremento de 30% na carteira de crédito  imobiliário em 2011, atingindo R$ 60 bilhões. Neste ano, o número foi de R$ 47 bilhões. Outros bancos estão apostando também em maior liberação de crédito para essa área.

Esses financiamentos no Brasil representam, hoje, menos de 4% do PIB, enquanto alguns mercados da América Latina já têm apostado mais no setor. No Chile, o financiamento imobiliário representa 17% do PIB e, no México, 12%.