Custos estruturais afetam exportação de produtos da 3M, conforme diretor presidente da companhia

por andre_inohara — publicado 26/04/2012 18h05, última modificação 26/04/2012 18h05
São Paulo – Fábrica automatizada de Ribeirão Preto é a primeira da América Latina em fabricação de microesferas de vidro ocas, mas custos elevados de produção inviabilizam vendas externas.
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A fábrica da 3M em Ribeirão Preto, inaugurada em fevereiro, é a primeira na América Latina a produzir microesferas de vidro ocas, componentes utilizados predominantemente no setor de petróleo e gás, mas cuja aplicação também é voltada ao mercado de tintas e vernizes, mineração e automotivo.

Além da unidade paulista, só mais quatro fábricas nos Estados Unidos (duas plantas), França e Coreia do Sul produzem a peça. Apesar da alta produtividade e da tecnologia, a fábrica só atende ao mercado doméstico por conta dos altos custos, que inviabilizam as exportações.

O diretor presidente da 3M do Brasil, Jose Varela, disse que a decisão de o Brasil priorizar a ciência e tecnologia como forma de elevar a competitividade é louvável. No entanto, é preciso se lembrar de que os gargalos de infraestrutura também precisam ser solucionados em curto prazo.

Veja aqui a entrevista de Varela ao site da Amcham, concedida após ele participar do ‘Seminário Oportunidades nas Relações Comerciais do Brasil frente à nova configuração dos blocos econômicos mundiais’, realizado pela Amcham-São Paulo na terça-feira (24/04).

Amcham: Em sua apresentação, o sr. citou os investimentos em inovação que a 3M tem feito no Brasil. Há um ambiente propício para o desenvolvimento local de tecnologia?

Jose Varela: Como falei na palestra, a inovação é a chave para o sucesso. O governo deveria promover muito mais investimentos em inovação e vejo o Ciência Sem Fronteiras [programa de intercâmbio em ciências exatas para 100 mil bolsistas aprenderem tecnologias inovadoras nas principais universidades mundiais] como uma iniciativa positiva. Ele vai desenvolver as pessoas e trazer mais laboratórios e inovação, dando ocupação a essas pessoas.

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Amcham: A inovação tecnológica é um diferencial competitivo?

Jose Varela: Com tecnologia se faz muita coisa. O mercado brasileiro, por seu tamanho, é muito atrativo, mas os custos de produção são altos. É possível [a uma companhia] se tornar competitiva, mas há certas coisas, como o custo da energia, que impedem uma produtividade maior.

Amcham: Poderia dar mais detalhes?

Jose Varela: Inauguramos em fevereiro uma fábrica moderna em Ribeirão Preto, para fabricar micro-esferas de vidro ocas. É a primeira da América Latina, com toda a produção automatizada. Trouxemos a melhor tecnologia, trabalhamos em três turnos e somos produtivos. Por conta disso, os custos de energia são tão altos que não podemos exportar. Temos que vender para o mercado local.

Amcham: Como as dificuldades estruturais da economia brasileira atrapalham as empresas?

Jose Varela: Paga-se muito imposto para trazer um laboratório ou fábrica-piloto. Um bom começo seria a redução de impostos para desenvolver a pesquisa e o desenvolvimento. A fabricação de produtos ou serviços beneficia não só o comércio exterior, mas também o próprio País.

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