CVM: adesão ao padrão contábil IFRS coloca Brasil em maior evidência no radar dos investidores

publicado 06/04/2011 12h38, última modificação 06/04/2011 12h38
Daniela Rocha
São Paulo - Avaliação prévia sobre os balanços das companhias abertas seguindo novo modelo internacional é positiva, diz diretor.
cvm_materia.jpg

O Brasil ganha maior destaque no radar dos investidores ao aderir ao padrão contábil International Reporting Financial Standards (IFRS). A avaliação é de Alexsandro Broedel Lopes, diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e professor titular de Contabilidade da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Os balanços das companhias abertas referentes ao exercício de 2010, recentemente divulgados, já atendem plenamente a esse novo modelo.

“O País vive um momento favorável para a captação de investimentos e, com a total convergência ao IFRS, entra no radar dos investidores, que podem comparar com mais facilidade as empresas brasileiras com outras organizações no mundo. Em uma avaliação prévia dos balanços, não há nenhum sobressalto. A partir de agora, avaliaremos mais criteriosamente. Temos um sistema específico para isso, mas esse trabalho de verificação não se diferencia do que fazemos todos os anos”, afirmou Lopes, que participou nesta quarta-feira (06/04) do comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham-São Paulo.

De maneira geral, segundo o diretor da CVM, o IFRS representa prestação de informações mais aprofundadas e com maior qualidade. “É bem maior do que era antes, por exemplo, a evidenciação em relação às operações que as empresas fazem no mercado de capitais ou transações das mais variadas naturezas como financeiras e entre partes relacionadas”, ressaltou.

Em relação aos derivativos financeiros, aplicações no mercado futuro e opções, Lopes explicou que, após problemas enfrentados por diversas corporações durante a crise de 2008, já haviam sido estabelecidas regras mais incisivas com o objetivo de garantir maior transparência, medidas que vigoram até hoje.

Os dados sobre as stock options - opções de compra de ações ofertadas aos executivos como incentivos conforme os resultados dos trabalhos de valorização das companhias - dentro do padrão IFRS se tornaram mais claros, tanto nas demonstrações quanto nos formulários de referência. “Ainda há um espaço para evoluir nesse tipo de informação”, comentou Lopes.

Brasil X mundo

O IFRS começou a ser utilizado na União Europeia em 2005 e atualmente está presente em mais de 100 países, em alguns já consolidado e em  outros, em processo de conversão.

“O Brasil adotou depois da Comunidade Europeia, mas antes de países como Canadá e Japão e também na frente de China, Índia e Rússia (demais integrantes do bloco Bric). Ainda não há definição sobre o IFRS nos Estados Unidos”, disse o diretor da CVM.

Mesmo sem ter a decisão sobre a adesão ou não a esse padrão contábil, os EUA aceitam balanços no IFRS. Portanto, o modelo é valido para as companhias brasileiras listadas na Bolsa de Nova York.