Defesa de reformas trabalhista e previdenciária “surpreende positivamente”, diz economista do Credit Suisse

publicado 02/02/2017 11h48, última modificação 02/02/2017 11h48
São Paulo – Luciano Paiva destaca entrosamento de Temer com o Congresso para articular mudanças essenciais
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O discurso do presidente Michel Temer em defesa das reformas trabalhista e previdenciária na terça-feira (31/1) é uma boa notícia para os investidores estrangeiros e são “surpreendentemente positivas”, segundo Luciano Paiva, economista-chefe de Gestão de Fortunas do banco Credit Suisse. “As reformas propostas são surpreendentemente positivas. O presidente Temer tem uma articulação muito forte no Legislativo, e hoje o entrosamento do governo com o Congresso e até o Judiciário faz com que consiga aprovar propostas com mais facilidade”, disse, no comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham – São Paulo na quarta-feira (1/2).

Além das duas reformas, Paiva comenta que o governo tem até discutido mudanças tributárias. “São tópicos que, sinceramente, há seis meses não imaginava que o governo colocaria em pauta. Isso é espetacularmente positivo e abre espaço para um panorama fiscal melhor ao longo do tempo.”

Se as reformas de fato avançarem, a confiança do investidor tende a se fortalecer, argumenta o economista. “O indicador de risco CDS, por exemplo, cairia ainda mais.” O CDS (Credit Default Swap) é um instrumento financeiro que funciona como uma espécie de seguro contra calote e também é usado para balizar um indicador que avalia o potencial de inadimplência dos títulos públicos dos países.

No auge da recessão brasileira em 2015, o índice CDS de 5 anos do país superou os 500 pontos, e caiu para cerca de 320 pontos depois da mudança de governo no segundo semestre de 2016. Até 2014, quando o Brasil começava a trajetória de recessão, o índice estava abaixo dos 220 pontos.

Paiva se refere ao pronunciamento de Temer no evento Latin America Investment Conference, organizado pelo Credit Suisse em São Paulo, e direcionado a investidores estrangeiros e brasileiros. Sobre a previdência, Temer disse que “mantê-la como está, além de espantar os investimentos de que precisamos hoje, é negar aos jovens a aposentadoria de amanhã”. Para o economista, a reforma previdenciária deve ser aprovada este ano pelo Congresso.

Em relação ao sistema trabalhista, Temer demonstrou intenção de reformar a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). “A readequação das leis trabalhistas é peça-chave nessa agenda. A CLT é de 1943. Precisamos dessa modernização e fazer com que a convenção coletiva possa prevalecer."

Outra consequência importante das reformas seria uma queda mais rápida da taxa básica de juro, acrescenta o economista. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano e o Credit Suisse projeta uma queda para 10,25% em dezembro. No departamento de Paiva, a estimativa é um pouco mais otimista: 9,5% ao ano. Enquanto a matriz suíça trabalha com números mais conservadores para a região, Paiva estima um desempenho melhor dos fundamentos econômicos.

Mesmo com o país em recessão, o executivo destaca que os investimentos estrangeiros diretos aumentaram entre 2015 e 2016. No período, eles foram superiores a 4% do PIB (Produto Interno Bruto) e ao período de crescimento econômico verificado em 2013 e 2014. Os investimentos na época chegaram perto dos 4%. “Há compra de ativos brasileiros que estão baratos, mas isso é parte do movimento. Os investimentos no setor automotivo, telecom e serviços financeiros, por exemplo, continuaram aumentando”, assinala.