Depois da reforma da Previdência, o que esperar da economia em 2020?

publicado 27/01/2020 10h13, última modificação 27/01/2020 10h13
Recife – Em seminário de perspectivas, especialistas avaliam próximos passos da agenda econômica do governo
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Especialistas debatem expectativas econômicas durante o Plano de Voo em Recife. Na foto: José Henrique Nascimento, Líder de Competitividade do Centro de Liderança Pública (CLP)

Passada a reforma da Previdência, quais são as principais frentes para aumentar a competitividade do país em 2020? Para especialistas que passaram pela Amcham Recife, as expectativas giram em torno da reforma Tributária, a reforma do Pacto Federativo e a reforma Administrativa.

Para José Henrique Nascimento, Líder de Competitividade do Centro de Liderança Pública (CLP) e palestrante do seminário de perspectivas Plano de Voo, realizado no dia 22/01, as reformas citadas acima têm complexidade igual ou até maior do que a da Previdência.  “A reforma da Previdência por si só foi um marco de que sim, é possível fazer reformas estruturais de resultados a longo prazo no país. Os grandes focos que observamos agora são a reforma Tributária  e a Administrativa, que devem ser pautadas ainda este ano. Teremos discussões sobre Pacto Federativo, mas acho que não vai passar em 2020 devido a complexidade dessa agenda”, relatou.

Trazer competitividade é o grande foco, segundo Nascimento. Uma transformação importante neste sentido foi a lei da Liberdade Econômica, que ele acredita que terá um bom retorno em relação ao emprego e ao incentivo a abertura de empresas. Outra agenda essencial é a desburocratização e simplificação de processos, principalmente na abertura de empresas ou atividades econômicas: “Há uma meta do governo de se posicionar em relação a isso como uma forma de fomentar o empreendedorismo”.

 

INFRAESTRUTURA: AINDA UM GARGALO

Como lembra Nascimento, a infraestrutura no Brasil enfrenta um desafio em particular: a baixa capacidade de investimento público na área, principalmente considerando a lei de Teto de Gastos. Com uma agenda mais liberal, o trabalho tem sido em investir mais em privatizações e concessões. Isso fez o país virar o quarto destino de investimento estrangeiro direto em 2019, subindo cinco posições em relação a 2018. A avaliação de Antônio Jorge, Diretor Financeiro e de Crédito do Banco do Nordeste, é positiva: “O governo está com agenda importante, com parcerias público-privadas, concessões, agenda de geração de emprego, carteira de trabalho, legislação da liberdade econômica. Todas são iniciativas que buscam a retomada do crescimento de maneira robusta”.

 

O OTIMISMO CRESCE

O otimismo é um reflexo das mudanças de 2019. Marcelo Gonçalves, Sócio na KPMG, traz os dados da pesquisa CEO Outlook, realizada há cinco anos pela consultoria. “Quando comparamos os resultados de 2018 e 2019, vemos claramente a evolução do nível de otimismo”, relata. Em levantamento da Amcham, esse dado também apareceu: 85% dos CEOs abordados acreditam que o crescimento de suas empresas será 10% maior do que em 2019.

O ano de 2020 é o ano da retomada para Urbano Vitalino, Sócio Presidente na Urbano Vitalino Advogados. “Passamos por uma crise muito séria e que vem melhorando desde o governo de Temer. Entramos em 2020 em um cenário mais favorável, e a reforma da Previdência foi essencial para isso”, analisa.

 

CENÁRIO EXTERNO

Para Jorge Jatobá, Economista e Sócio na CEPLAN Consultoria Econômica e Planejamento, o quadro político está instável e imprevisível, principalmente em relação a conflitos com o Irã. Por outro lado, o especialista também lembrou que o acordo fechado entre China e Estados Unidos traz impactos para as exportações brasileiras. “Uma das cláusulas desse acordo é aumentar a exportação de agropecuários dos EUA para a China. Por isso, é possível que o Brasil perca participação no agronegócio. Isso significa que temos que aumentar a nossa capacidade de atrair outros parceiros comerciais em outros lugares como Ásia e América Latina. Precisamos convocar o país para maior abertura e diversidade comercial”, relata.

 

E O PLANO DE VOO DO NORDESTE?

Qual deverá ser o Plano de Voo do Nordeste em 2020? Para saber, realizamos uma pesquisa exclusiva com CEOs, presidentes, sócios e VPs da região. No levantamento, os empresários apontaram quais reformas devem apoiar em 2020 para o crescimento da região, qual é a expectativa do PIB da região e quais são os principais diferenciais competitivos. Veja a pesquisa completa aqui.

 

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