Diretor-geral do ONS defende mais usinas térmicas no Sul e leilões de energia regionais e por fonte

por andre_inohara — publicado 02/10/2012 08h37, última modificação 02/10/2012 08h37
São Paulo – Na visão dele, com ampliação e diversificação da matriz energética, abastecimento ficaria assegurado.
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A construção de usinas térmicas a gás na região Sul, aliada a leilões de energia regionais e por fonte, seria uma forma eficiente de acabar com a inconstância no abastecimento de eletricidade que os Estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentam periodicamente.

As propostas foram defendidas pelo diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, durante o comitê estratégico de Energia da Amcham-São Paulo em 21/09.

“Há necessidade de leilões regionais (de energia) no Sul, colocando (usinas) térmicas a gás, e leilões localizados identificando antes o potencial energético”, afirmou o dirigente.

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A região Sul é abastecida predominantemente por usinas hidrelétricas a fio d’água, que não possuem reservatórios e cujos rios perdem vazão nos períodos de seca (abril a setembro), momento em que o ONS tem que enviar energia do Sudeste para suprir as necessidades locais.

No primeiro semestre, o ONS transferiu 6 mil megawatts (MW) ao Sul, capacidade máxima permitida pelo sistema de transmissão. “Os vendavais e as mudanças climáticas nesse período poderiam danificar as torres (de transmissão) e tornar a oferta indisponível”, observou Chipp.

Ela alerta que a evolução industrial que ocorre na região Sul tende a agravar o desequilíbrio energético. “A carga (utilizada pela indústria) está elevando muito a carga média de consumo”, detalhou. Uma usina térmica a gás, fonte cujo fornecimento é mais previsível e garantido, seria a mais indicada.

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Propostas para aperfeiçoamento dos leilões de energia

De acordo com o dirigente do ONS, a mudança no sistema de leilões de energia, por região ou tipo de fonte, poderia ser aplicada já nos próximos certames, o A-3 (leilão trianual), o Leilão de Fontes Alternativas (LFA) e o de Energia de Reserva (LER).

“Em termos de geração distribuída, creio que esse modelo vai conduzir ao menor custo global quando se pensa em geração, transmissão e distribuição”, comenta Chipp. Ele também se diz favorável à adoção do modelo europeu de leilão, onde a capacidade a ser instalada é previamente definida.

“Estamos propondo leilões como em Portugal e Espanha, identificando previamente o que se quer em cada lugar”, comenta. Nesse sistema, também é preciso verificar a disponibilidade do sistema de transmissão.

No Brasil, há usinas eólicas prontas para entrar em funcionamento, mas que não podem se interligar ao sistema elétrico nacional por falta de linhas de transmissão, relata Chipp.

“Estamos tratando do problema da transmissão em nível estadual, criando grupos integrados com as secretarias de Energia e Meio Ambiente, para identificar os gargalos. O relacionamento está começando e, com entendimento, serão obtidos bons resultados.”

Embora não seja função do ONS propor mudanças no formato dos leilões, Chipp revela o desejo de criar uma agenda favorável ao tema. “Estamos pensando em fazer uma nota técnica, mas isso não é atividade nossa, para sensibilizar o poder concedente e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética)”, destaca.

De acordo com Chipp, a realização de leilões de energia conforme demandas locais e por fontes seria a melhor forma de reduzir os custos globais de geração, transmissão e distribuição de eletricidade.

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