Diversificação da matriz energética traz desafio de integração das fontes

por andre_inohara — publicado 04/09/2012 10h55, última modificação 04/09/2012 10h55
Recife – Participação da hidroeletricidade na matriz nacional cairá, ao passo que energia eólica ganhará mais espaço.

O aumento na diversificação da matriz energética brasileira e a construção de usinas hidrelétricas a fio d’água são fatores que têm trazido novos desafios para o sistema elétrico nacional. O principal deles é trabalhar a integração e a complementaridade das fontes, segundo Roberto Gomes, consultor de empresas no setor elétrico e ex-diretor de Administração dos Serviços de Transmissão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

“Nos próximos anos, teremos grandes projetos hidrelétricos sem reservatórios de água, a exemplo de Belo Monte, aliados ao crescimento da geração sazonal de biomassa e produção intermitente de energia eólica”, afirmou Gomes, durante o comitê de Energia da Amcham-Recife, em 27/08.

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Ele cita dados da ONS que mostram que de 2012 a 2016 a participação da hidroeletricidade no total da potência instalada no Brasil passará de 79% para 70%. Já a energia eólica saltará de 1% para 5,3% no mesmo período.

Investir na maior integração dessas fontes será um dos caminhos para reduzir a necessidade de usinas térmicas e nucleares como alternativa para os períodos de baixa na produção, acredita Gomes.

De acordo com o consultor, no tocante à energia eólica, os desafios serão ampliar a capacidade de prever a oferta de ventos, integrar a energia eólica com outras fontes renováveis do sistema e compatibilizar o tempo necessário para implantação e geração de energia.

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Previsibilidade na energia eólica

O consultor avalia que a ampliar a capacidade técnica de previsão do volume de ventos é essencial para que a energia eólica se torne cada vez mais segura no Brasil.

“Hoje temos um sistema bastante avançado de meteorologia que já consegue, com bastante segurança, prever situações de cheia ou seca de tal forma que se possa administrar os reservatórios de águas nas hidrelétricas. Ainda não temos como fazer a mesma coisa com o vento, o que é um primeiro problema”, indica.

O ideal, segundo Gomes, seria desenvolver modelos de previsão de geração capazes de definir com até 72 horas de antecedência o fluxo de vento. As informações seriam obtidas a partir da análise de dados históricos da região onde está instalado o parque eólico, das previsões das condições climáticas e dos dados topográficos.

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No desenvolvimento da matriz eólica, Gomes destaca que o Brasil precisa aprender sobretudo com a Espanha. “Lá, a expansão eólica também ocorreu de maneira bastante rápida, mas faltaram informações acerca do volume que estava sendo colocado no sistema”.

Ele aponta que, por ser uma fonte intermitente, a geração eólica tem que ser planejada com cuidado para que, nos períodos de baixo vento, o sistema elétrico não seja prejudicado. “A Espanha teve esse problema. No Brasil, já temos aprendido com esse exemplo, planejando a geração eólica para complementar as demais fontes”, finaliza.